Inovação em seguros e previdência: maiores tendências a serem investidas

Por Alexandre Pierro

A inovação vem remodelando e transformando todo o mercado mundial, e o setor de seguros e previdência não é exceção. Soluções baseadas em IA, automação, análise preditiva e atendimento digital estão tornando essas operações cada vez mais eficientes e ampliando as possibilidades de personalização dos serviços – o que faz que, mais do que acompanhar essas tendências, as empresas deste segmento compreendam quais realmente geram valor para seus negócios e consumidores, construindo um ecossistema integrado que favoreça seu destaque competitivo. 

Uma pesquisa conduzida pela Digital Insurance, em 2025, constatou que 78% dessas organizações planejam aumentar seus investimentos em tecnologia, com destaque para a inteligência artificial, analytics e infraestrutura digital. Esse vem sendo um movimento crescente impulsionado pela conquista de benefícios que vão muito além da modernização dos processos internos – capaz também de aumentar a eficiência operacional, reduzir custos administrativos e acelerar atividades que, antes, demandavam grande esforço manual, como análise de propostas, processamento de sinistros e atendimento ao cliente. 

O uso estratégico dos ativos internos através desses recursos permite compreender melhor o perfil e as necessidades dos consumidores, viabilizando a oferta de produtos mais personalizados e aumentando as taxas de conversão, retenção e fidelização. Sem falar, ainda, na capacidade de identificar riscos e oportunidades com maior precisão, fortalecendo a tomada de decisão e a competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo. 

Nesse sentido, uma das tendências mais promissoras que vem se destacando é o Open Insurance, modelo que permite que os dados dos clientes sejam compartilhados, mediante seu consentimento, entre as seguradoras, entidades de previdência e empresas autorizadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). O objetivo é criar um ecossistema mais aberto, integrado e centrado no consumidor, semelhante ao que já acontece no Open Finance. 

Para as organizações, a principal vantagem está na possibilidade de acessar informações mais completas sobre o histórico, perfil e necessidades dos compradores, permitindo a criação de produtos mais personalizados e jornadas de contratação mais simples e eficientes. Além, é claro, de impulsionar a competitividade do setor, com a padronização do compartilhamento de dados e serviços, o que favorece o surgimento de oportunidades para o desenvolvimento de soluções capazes de conectar os segurados às ofertas mais adequadas ao seu perfil. 

A combinação entre a Inteligência Artificial, Business Intelligence (BI) e Analytics também merece destaque aqui. Em um setor que lida, diariamente, com grandes volumes de informações, riscos, complexidade operacional e decisões que impactam, diretamente, a vida financeira dos clientes, a capacidade de transformar dados em inteligência competitiva se tornou um diferencial estratégico para que consigam identificar padrões, tendências e comportamentos que, dificilmente, seriam percebidos apenas por meio de análises tradicionais. Isso possibilita a antecipação das necessidades dos consumidores, tornando a oferta de seguros e planos de previdência mais aderente à realidade de cada um. 

Não há como deixar de lado o crescimento das Data Insurtechs, empresas especializadas em coletar, integrar e analisar grandes volumes de dados para tornar este mercado mais eficiente, preciso e personalizado, focando, justamente, na inteligência gerada a partir dos ativos. A ideia, aqui, é transformar informações dispersas em insights estratégicos capazes de apoiar decisões em toda a cadeia do negócio, criando uma operação mais inteligente e orientada por evidências. 

Muito também vem sendo visto na ampliação dos investimentos em tecnologias associadas à Indústria 4.0, incorporando recursos como blockchain (o qual contribui para aumentar a segurança, transparência e rastreabilidade das operações); e a Internet das Coisas (IoT), que permite o monitoramento em tempo real das soluções desenvolvidas, possibilitando uma gestão de riscos mais precisa e preventiva – além de análises aprofundadas de fraudes e prevenções necessárias. 

Todas essas tendências são capazes de contribuir com o fortalecimento e integração desse ecossistema, expandindo a visão dessas empresas para uma competitividade saudável que impulsione o investimento e desenvolvimento dessas inovações. Contudo, é importante enfatizar que essas iniciativas precisam ocorrer dentro do ambiente regulatório já consolidado, uma vez que costumam enfrentar barreiras e complexidades legais naturais de qualquer ação adotada nesse sentido. 

Enquanto em outros segmentos a tecnologia costuma avançar mais rapidamente do que a legislação — levando governos e órgãos reguladores a criarem normas apenas após a popularização das soluções — no setor de seguros e previdência, as empresas precisam desenvolver essas tecnologias com base nas leis já vigentes. O próprio caso da IA ilustra esse cenário: após anos de desenvolvimento acelerado de ferramentas e aplicações em todo o mundo, somente recentemente países passaram a estabelecer marcos regulatórios específicos para seu uso responsável, segurança e governança. 

Inovar deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma necessidade estratégica no presente. Tecnologias como Open Insurance, inteligência artificial, analytics, Data Insurtechs e soluções da Indústria 4.0 estão redefinindo a forma como as empresas de seguro e previdência operam. O desafio não está apenas em adotar novas ferramentas, mas em comandá-las de maneira responsável, alinhada às regulamentações e às expectativas dos consumidores. Afinal, em um mercado cada vez mais digital e competitivo, a capacidade de inovar com segurança será um dos principais fatores para garantir crescimento, relevância e sustentabilidade. 

Alexandre Pierro é doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.       

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