Guarda levanta R$ 4,5 milhões em rodada pré-seed para escalar seguro climático digital no agronegócio

A Guarda insurtech recebeu aporte liderado pela Randon Ventures para expandir seu seguro climático paramétrico no agronegócio brasileiro

A Guarda, insurtech, startup brasileira focada em seguros climáticos para o agronegócio, anunciou a captação de R$ 4,5 milhões em uma rodada pré-seed. A Randon Ventures, braço de corporate venture capital da Randoncorp, liderou o investimento. A rodada também contou com a participação de investidores-anjo com experiência nos setores agroindustrial, segurador e de tecnologia financeira, além do Colligo, clube de investimentos especializado em agtechs.

Entre os investidores estão José Kfuri, ex-CEO da Marubeni Grãos Brasil; Rodrigo Botti, executivo da Lockton e ex-CFO do IRB; Alan Chusid, fundador da Spin Pay, adquirida pelo Nubank; e Johann von Sothen, cofundador da Solfácil.

Com o novo capital, a Guarda vai acelerar o desenvolvimento da sua plataforma tecnológica. Além disso, a empresa pretende validar o modelo de seguro paramétrico climático em escala. A meta é atingir entre 5 mil e 10 mil hectares segurados nos primeiros meses de 2026. Para isso, a estratégia passa por parcerias com cooperativas, revendas agrícolas e instituições financeiras que atuam na concessão de crédito rural.

Fundada em 2024 por Paula Caldeira e Luiz Fernando Guerreiro, a Guarda insurtech desenvolve seguros contra eventos climáticos extremos, como seca e excesso de chuvas. O modelo se baseia exclusivamente em índices climáticos monitorados por dados de satélite. Dessa forma, a empresa elimina vistorias em campo e análises de produtividade, o que permite contratação digital e acompanhamento em tempo real dos indicadores.

Outro diferencial está na estrutura de risco. A Guarda não mantém o risco em balanço. Em vez disso, resseguradoras parceiras garantem as indenizações, incluindo grupos internacionais. Assim, quando os parâmetros definidos em contrato são atingidos, o pagamento ocorre de forma automática.

Ao mesmo tempo, a startup aposta em distribuição integrada ao ecossistema do agro. Nesse modelo, o seguro climático pode ser contratado dentro de fluxos já existentes, como operações de custeio, compra de insumos e concessão de crédito. A empresa também mantém parcerias com corretores especializados.

Movimento de investimentos em insurtechs do agro

O aporte na Guarda reflete um movimento mais amplo de investimentos em insurtechs voltadas ao agronegócio. Nesse cenário, outras startups do setor também anunciaram captações recentes. Um exemplo é a TRAG, plataforma de seguro paramétrico agrícola baseada em inteligência artificial. Em 2024, a empresa concluiu sua primeira rodada e levantou R$ 2 milhões, com liderança da DOMO.VC e participação de investidores-anjo.

A TRAG utiliza dados de satélite, análises de solo e condições atmosféricas para mensurar perdas e precificar riscos de forma automatizada. Com isso, a startup busca ampliar a precisão das coberturas e reduzir ineficiências do seguro rural tradicional.

Outra insurtech que recebeu recursos foi a Picsel. A empresa levantou R$ 5 milhões em uma rodada Seed, liderada pela Arar Capital. Fundada em 2021, a Picsel desenvolve tecnologia para acelerar a emissão de apólices agrícolas.

Para isso, a startup combina dados climáticos históricos e imagens de satélite. A plataforma cria simulações digitais das lavouras e permite ajustar as apólices conforme o histórico produtivo de cada área. Assim, o modelo substitui precificações baseadas em médias regionais por análises individualizadas.

Nesse contexto, os aportes reforçam o potencial das insurtechs e das novas tecnologias no seguro rural brasileiro. Apesar da relevância do agronegócio, o setor ainda apresenta baixa penetração de seguros. Ao mesmo tempo, a intensificação dos eventos climáticos aumenta a demanda por soluções mais eficientes.

Com o avanço de inteligência artificial, monitoramento via satélite e seguros paramétricos, startups do setor buscam reduzir custos operacionais e ampliar o acesso à proteção climática. Para investidores, o segmento reúne demanda reprimida e um mercado potencial de dezenas de bilhões de reais em prêmios anuais, o que posiciona o seguro agrícola digital como uma das frentes mais promissoras da inovação no agro.

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