Paraisópolis lança desafio para se tornar a primeira favela 100% segurada do Brasil

Durante a Feira Seguros para Todos os Bolsos, realizada em Paraisópolis, é lançado o desafio de transformar a comunidade na primeira favela 100% segurada do Brasil. A proposta, apresentada pelo fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, visa transformar a região em laboratório para desenvolver produtos, linguagens e serviços adequados à população das favelas e periferias, ampliando o acesso à proteção financeira.

Representantes do mercado segurador e o G10 após abertura do evento

Com cerca de 21 mil domicílios, Paraisópolis tem potencial para ser referência nacional na criação de soluções que atendam às realidades específicas da população local. Gilson Rodrigues enfatiza a oportunidade de construir uma iniciativa com alcance nacional. O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, endossa o desafio e aponta que o projeto faz parte de uma estratégia de longo prazo para expandir a proteção financeira a outras regiões.

A diretora da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Júlia Normande, presente na abertura do evento, destaca a importância de desenvolver produtos que considerem as características territoriais e sejam claros para a população. Ela orienta os consumidores a buscarem informações claras sobre coberturas e condições dos seguros antes da contratação.

Júlia Normande, com o microfone, ao lado de Dyogo Oliveira e Gilson Rodrigues

Gilson Rodrigues chama atenção para o patrimônio construído pelos moradores da comunidade, que inclui residências, motocicletas usadas para trabalho, salões de beleza, restaurantes e pequenos negócios. Ele informa que mais de 20 milhões de brasileiros vivem em favelas, movimentando aproximadamente R$ 300 bilhões. A feira em Paraisópolis aproxima o setor segurador dessa população frequentemente excluída do mercado tradicional.

O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, ressalta que o seguro pode evitar que famílias e pequenos empreendedores sejam obrigados a recomeçar após eventos como incêndios, roubos ou acidentes. Ele destaca o papel do seguro para manter o ciclo de crescimento dessas pessoas. Oliveira reconhece que a linguagem do setor precisa ser acessível para derrubar barreiras culturais e financeiras.

Dyogo Oliveira, esq., e Gilson Rodrigues

Empresas apresentam iniciativas em Paraisópolis

A programação da feira incluiu temas como educação financeira, inclusão, emprego e renda, inteligência artificial e proteção patrimonial, com participação de Bradesco Seguros, CNP Assurances, Favela Seguros, Azul Seguros e MAPFRE. Gregoire Saint Gal De Pons, da CNP Assurances, destacou a oferta de microsseguros e a importância da educação financeira para a compreensão dos produtos.

Gê Coelho, líder de Relações Institucionais da Favela Seguros, afirmou que a feira ampliou o diálogo entre o mercado segurador e os territórios periféricos, valorizando a favela como território produtor de economia, conhecimento e soluções, com patrimônio a ser protegido.

Ivani Benazzi de Andrade, superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros, ressaltou que a presença das empresas na comunidade permite entender as reais necessidades dos moradores e mostrar como valores acessíveis podem proteger famílias e pequenos patrimônios.

Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil, reafirmou que a atuação da seguradora em Paraisópolis é resultado de mais de quatro anos de trabalho para entender as demandas locais e transformar em soluções de proteção acessíveis e relevantes para a comunidade.

Azul Seguros promoveu uma atividade sobre como a inteligência artificial ajuda a escolher o seguro mais adequado para as famílias, facilitando a compreensão dos produtos e apoiando a decisão de compra de acordo com a realidade financeira de cada pessoa.

A feira também contou com bate-papo sobre emprego e renda, conduzido por Rodrigo Matos, superintendente regional da Escola de Negócios e Seguros (ENS), além de atrações musicais e atividades interativas.

Dyogo Oliveira afirmou que a feira inaugura uma agenda permanente de aproximação entre o setor segurador e as periferias, para que o seguro se torne instrumento de proteção, estabilidade, emprego, renda e prosperidade para essas populações.

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