Prospecto do IPO do PicPay esclarece bastidores da compra da Kovr

O prospecto do IPO do PicPay, protocolado na SEC, trouxe novos elementos sobre a aquisição da Kovr Seguradora, ex-Master. O documento revela que parte relevante dos recursos a serem captados na oferta será utilizada para quitar a operação, conectando de forma direta a seguradora à estratégia de capitalização e crescimento da fintech.

Esses detalhes foram analisados em reportagem do Pipeline, assinada pela jornalista Maria Luíza Filgueiras, e ajudam a reorganizar a leitura do mercado sobre uma transação que, quando anunciada em setembro, foi apresentada como um management buyout (MBO), no qual os próprios executivos da seguradora assumiriam o controle da companhia.

Segundo a apuração do Pipeline, as negociações para a venda da Kovr vinham sendo conduzidas pela J&F, holding da família Batista, diretamente com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A deterioração da situação do banco e os riscos associados a possíveis contingências, especialmente em um processo de diligência acelerado, levaram à adoção do MBO como uma solução intermediária para viabilizar a transação.

Embora a estrutura formal tenha colocado os executivos da Kovr como compradores, o prospecto do IPO deixa claro que a quitação da aquisição está vinculada ao caixa da oferta. A operação ainda depende das aprovações do Cade e da Susep e permanece sujeita a eventuais ajustes, a depender do andamento ou do desfecho da liquidação do Banco Master.

Independência antecipada e continuidade operacional

Como o insurtech.com.br vem acompanhando desde setembro, a Kovr se antecipou aos efeitos da crise do antigo controlador. A seguradora deixou formalmente o grupo Master semanas antes da decretação do regime especial pelo Banco Central, passando a operar sob estrutura societária independente, com governança preservada e continuidade plena das operações.

Em reportagem no Pipeline, Maria Luíza Filgueiras aponta que, quando os efeitos mais críticos envolvendo o Banco Master vieram a público, a Kovr já operava fora do conglomerado, sob controle próprio.

Execução e expansão após a saída do grupo Master

Desde a mudança de controle, a Kovr acelerou sua agenda de expansão, com foco em produtos digitais, soluções integradas a plataformas e diversificação de linhas de negócio. A seguradora ampliou sua atuação tanto no varejo digital quanto em segmentos B2B e B2B2C, com iniciativas voltadas a marketplaces, parceiros corporativos e ecossistemas financeiros.

Esse posicionamento também ficou evidente no ITC Vegas 2025, onde executivos da Kovr e do PicPay participaram do mesmo painel dedicado a novos modelos de integração entre seguros, plataformas digitais e experiências de consumo.

A construção da frente de seguros no PicPay

A aquisição da Kovr se soma a uma série de movimentos do PicPay no mercado de seguros ao longo dos últimos anos. A companhia vem estruturando uma frente dedicada ao tema, com reforços no time executivo, ampliação do portfólio e parcerias com seguradoras e prestadores de serviços.

Nesse contexto, um dos movimentos recentes foi a contratação de Cristiano Saab para liderar a área de seguros da companhia. Com passagem por seguradoras tradicionais e por insurtechs focadas em canais digitais, o executivo chegou com a missão de estruturar e expandir a atuação do PicPay no segmento, em linha com a estratégia de distribuição de produtos digitais e serviços integrados.

Além disso, o PicPay vem lançando produtos de assistência e proteção no app, firmando parcerias com players do setor e investindo em soluções de segurança e prevenção a fraudes, como funcionalidades voltadas à proteção de contas e transações. Esse conjunto de iniciativas ajuda a contextualizar a aquisição da Kovr não como um movimento isolado, mas como parte de uma construção gradual da atuação da fintech em seguros e serviços relacionados.

Seguros como parte da estratégia das plataformas digitais

Ao explicitar no prospecto do IPO a ligação financeira com a aquisição da Kovr, o PicPay se insere em um movimento mais amplo observado no mercado. Bancos, fintechs e empresas de diferentes setores têm incorporado seguros e serviços de proteção às suas ofertas como forma de ampliar portfólio, aprofundar relações com clientes e lidar com riscos cada vez mais distribuídos.

Nesse contexto, ganham espaço modelos apoiados em tecnologia, integração digital e maior flexibilidade de produtos, acompanhando a transformação das plataformas financeiras. O caso da Kovr ajuda a ilustrar como inovação, capital e novos arranjos societários vêm se combinando na evolução do setor de seguros, sem depender exclusivamente das estruturas tradicionais.

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