IA traz mudanças profundas, mas também deve “desbloquear” valor para o setor de seguros

A queda no preço das ações de diversas seguradoras em fevereiro, após avanços na inteligência artificial, representa um impacto severo, mas não será o resultado final, afirmou um especialista em insurtech.

Michael Konialian, fundador e CEO da Modern Life, disse: “Os mercados acertaram na gravidade. Mas não necessariamente acertaram na direção, porque na distribuição, no back-office, você vai conseguir fazer muito mais com menos.”

No dia 9 de fevereiro, empresas registraram quedas nas ações que variaram de 2% para a AIG a 13% para a Willis Towers Watson, com Arthur J. Gallagher, Aon e Marsh & McLennan apresentando recuos dentro dessa faixa. O evento de mercado ocorreu após o lançamento de aplicativos de seguros baseados em IA pela Tuio e pela Insurify (via ChatGPT).

A IA tem potencial para gerar valor para as seguradoras à medida que seu uso no setor aumenta, segundo um relatório da McKinsey & Company publicado pouco antes da queda das ações. O relatório, escrito por sócios de Zurique, Boston, Londres e Nova York, prevê impactos ainda maiores para corretores de seguros, MGAs, fornecedores de software insurtech e administradores terceirizados.

Para os corretores, a IA vai melhorar a eficiência no aconselhamento de clientes sobre riscos e aumentar as margens. Para as MGAs, a tecnologia pode criar valor na subscrição e na distribuição. Para insurtechs de software e plataformas de dados, a IA vai remodelar a arquitetura e os padrões de aquisição. À medida que os administradores terceirizados atraem mais investimentos de private equity, estarão mais bem preparados para melhorar velocidade, consistência e nível de serviço em fluxos de trabalho de alto volume, segundo o relatório da McKinsey.

No geral, a IA gerará ganhos de produtividade que tendem a beneficiar as seguradoras, explicou Konialian. “Para os especialistas, para os consultores — que muitas vezes são generalistas — assim como para corretores e especialistas nos níveis de corretagem e seguradora, essas são ferramentas realmente transformadoras”, disse ele. “Nenhum ser humano vai ser especialista em planejamento tributário, financeiro, subscrição médica e no mercado de seguradoras e produtos ao mesmo tempo, e ainda conseguir navegar por todas as complexidades envolvidas.”

Nos próximos seis a 12 meses, a IA será “sobre-humana” em suas capacidades, acrescentou Konialian. Profissionais experientes vão usar isso para realizar mais, afirmou. “Na prática, isso vai favorecer quem tem experiência, quem pensa de forma sistêmica, quem tem maior capacidade de gerenciar e produzir mais”, disse Konialian. “Uma pessoa que entrega 3x vai passar a entregar 10x, e quem entrega 10x vai chegar a 100x.”

Isso, por sua vez, vai melhorar as perspectivas de negócios no setor de seguros, segundo Konialian. “Se você analisar o que impulsiona o valor das empresas, são as perspectivas de receita, de margem e a durabilidade dessas receitas. Em termos de receita, só vai crescer — porque hoje esses produtos são extremamente difíceis de comprar e vender, de forma quase exasperante”, disse ele. “Uma parcela muito pequena da demanda latente real é atendida de forma eficaz hoje. À medida que a distribuição desses produtos se tornar mais fácil e escalável, o mercado vai capturar muito mais dessa demanda latente. É muito positivo para as perspectivas de receita, e veremos isso em 2026.”

O relatório da McKinsey estimou que a IA generativa poderia “desbloquear” entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhões em receita para o setor de seguros. O private equity já reconheceu isso, mantendo investimentos ao longo de 2025, mesmo com um fluxo de negócios mais fraco, acrescentou o relatório.

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