Novo modelo começa com parcela mais baixa e dá opção de aumentar o valor da carta ao longo do plano
A Mapfre Consórcios, empresa do grupo Mapfre, começou a comercializar uma modalidade que permite ao participante ampliar o valor da carta de crédito após a contemplação. O formato, disponível para imóveis e veículos, introduz uma separação entre o valor contratado na entrada e a decisão de aumento do crédito ao longo do plano.
Na nova configuração, o consorciado pode ingressar em um grupo com carta de R$ 100 mil, por exemplo, e, uma vez contemplado, optar por elevar esse valor para R$ 200 mil. Até a contemplação, as parcelas permanecem atreladas ao crédito original, o que reduz o desembolso mensal em comparação com planos estruturados diretamente sobre valores mais altos.
A mudança também interfere nos lances, que são usados para tentar antecipar a contemplação. Como as ofertas continuam sendo calculadas sobre o valor inicial da carta, o montante necessário para competir dentro do grupo é menor do que em contratos estruturados desde o início com crédito integral. Na prática, isso tende a melhorar a relação entre parcela e capacidade de antecipação para parte dos participantes.
“O desenho permite entrar com parcela mais baixa e decidir depois se faz sentido ampliar o crédito, sem comprometer a estratégia de contemplação”, afirma a diretora de seguros massificados e consórcios da Mapfre, Andrea Nogueira. Segundo a executiva, a separação entre as etapas de contratação e ampliação responde a um comportamento observado entre clientes que priorizam previsibilidade no início do plano.
A adesão ao crédito ampliado não é obrigatória. Caso o participante opte por não exercer a opção, o contrato segue com as condições originais. Se houver a escolha pela ampliação, as parcelas passam a refletir o novo valor da carta a partir daquele momento.
O modelo também altera a forma como o consórcio concorre com outras alternativas de crédito. Em um ambiente de juros ainda elevados, o setor tem registrado aumento de demanda, sobretudo nos segmentos de veículos e imóveis no Brasil.
O consórcio de veículos leves, o maior segmento em número de consorciados ativos no Sistema de Consórcios, alcançou 1,91 milhão de adesões no ano passado, de acordo com dados da ABAC, a Associação Brasileira de Administradores de Consórcio. Por decorrência, foram gerados mais de R$ 132 bilhões em créditos comercializados. Em 2025, os créditos disponibilizados aos contemplados superaram os R$ 53 bilhões.
Com 36,0% de aumento nas vendas de cotas e 48,4% de avanço em créditos comercializados, o consórcio de imóveis fechou mais um ano demonstrando crescimento constante. As 145 mil contemplações, acumuladas nos 12 meses do ano, evidenciaram sua grande procura, possibilitando a disponibilização de mais de R$ 30 bilhões em créditos.
Para Nogueira, o formato tende a atrair um perfil de consorciado que ainda não definiu com precisão o tíquete final da compra ou que prefere preservar margem no orçamento durante os primeiros meses. “Há uma incerteza maior sobre o valor do bem no momento da adesão. A estrutura permite ajustar isso mais perto da contemplação, sem assumir esse custo desde o início”, explica a diretora.


