Startup utiliza inteligência artificial e dados de satélites desenvolvidos em programas da NASA para estruturar seguros paramétricos, transformando risco agroclimático em previsibilidade financeira para o agronegócio
Com a nova rodada, empresa chega a R$ 4,5 milhões captados e quer focar no investimento em IA para atingir R$ 500 milhões em risco protegido nos próximos 24 meses
A TRAG, insurtech especializada em mensuração, análise e transferência de risco agroclimático, acaba de captar R$ 2,5 milhões em nova rodada liderada pela DOMO.VC. O cheque funciona como extensão do aporte pré-seed de R$ 2 milhões realizado em setembro de 2024, elevando para R$ 4,5 milhões o total captado pela startup.
Além da DOMO.VC, participaram da rodada a Ventiur, a Anjos do Brasil e investidores-anjo como Renato Farias, cofundador da Azos Seguros, e Mariana Bonora, fundadora e CEO da Sette e diretora da Abfintechs. A captação também reuniu os investidores do Vale do Silício Barker Carlock e Manuel Parra, executivos com passagens por Meta e Tesla.
Fundada em 2024, em Franca (SP), a TRAG combina dados satelitais globais desenvolvidos em programas da NASA com modelos proprietários de inteligência artificial na estruturação de seguros paramétricos. Nessa modalidade, as indenizações são acionadas automaticamente quando eventos climáticos previamente definidos, como seca, excesso de chuva ou temperaturas extremas, atingem determinados níveis, sem necessidade de vistoria em campo. A proposta da startup é transformar risco agroclimático em previsibilidade financeira para o agronegócio.
O negócio opera nos modelos B2B e B2B2C, estruturando soluções de proteção climática para o agronegócio sem assumir diretamente o risco das operações, transferido para resseguradores globais. Segundo a startup, o formato amplia o acesso à proteção climática em regiões historicamente excluídas pelos modelos tradicionais, com mais previsibilidade, agilidade operacional e eficiência de custos.
Um dos exemplos recentes ocorreu em Corumbiara (RO), onde a TRAG estruturou uma apólice paramétrica para um pequeno produtor de milho safrinha que precisava acessar crédito rural via Proagro, mas não encontrava cobertura disponível no mercado tradicional devido às características da operação. A solução permitiu viabilizar o financiamento dentro das exigências do Manual do Crédito Rural.
Segundo o cofundador e CEO Leonardo Maia, o novo investimento reforça a tese de que a gestão do risco agroclimático precisa evoluir para modelos mais inteligentes, baseados em dados e inteligência artificial.
“O agro brasileiro convive com uma exposição climática crescente, enquanto grande parte dos produtores ainda opera com baixa cobertura e pouca previsibilidade financeira diante dos eventos extremos. Nosso objetivo é usar tecnologia e IA para transformar risco climático em uma variável mais mensurável, acessível e escalável para toda a cadeia”, comenta Leonardo.
Capital financeiro e intelectual
Mais do que financiar o crescimento da startup, a rodada atual foi desenhada para incorporar “smart money” à operação, conectando a TRAG a investidores com experiência em seguros, fintechs, tecnologia e expansão de negócios. Para Franco Pontillo, general partner da DOMO.VC, a empresa atua em uma das principais lacunas estruturais do setor no Brasil: o acesso à proteção climática com inteligência de dados e capacidade de escala.
“A TRAG conseguiu unir tecnologia, distribuição e conhecimento técnico do agronegócio em um mercado que ainda é pouco eficiente e muito relevante para o país. Vemos um imenso potencial de crescimento em um segmento que deve ganhar cada vez mais importância diante do avanço dos eventos climáticos extremos”, diz Pontillo.
“A nova rodada acelera nossa capacidade de escalar a operação sem perder precisão na análise de risco. Queremos ampliar a distribuição, evoluir os modelos proprietários de IA e consolidar a TRAG como uma plataforma de referência em gestão de risco agroclimático na América Latina”, projeta Luis Ricci Maia, diretor de operações da startup. O executivo é cofundador da empresa ao lado do primo Leonardo Maia, além de Rodrigo Gandra, engenheiro agrônomo especialista em solos, e Adriano Bacha, ex-engineering manager do Nubank.
Os recursos serão direcionados principalmente para a evolução dos modelos de inteligência artificial aplicados à subscrição de risco agroclimático e para tecnologias voltadas à melhoria da experiência dos clientes. Em até 24 meses, a meta é atingir R$ 500 milhões em risco protegido e consolidar parcerias com distribuidores, corretores e players estratégicos do mercado. A startup também avalia expandir a operação para países como Argentina e Paraguai.
Desde a rodada inicial, a TRAG acelerou a operação. Em poucos meses, o valor segurado avançou 47%, saltando de R$ 55 milhões para R$ 81 milhões, com operações distribuídas em oito estados brasileiros e oito culturas agrícolas diferentes.
A área protegida pela startup cresceu mais de três vezes ao longo de 2025. Já a importância segurada avançou quase dez vezes na comparação entre o segundo semestre de 2024 e o segundo semestre de 2025.


