Exigências regulatórias tornam observabilidade de dados prioridade para seguradoras

Especialista alerta que seguradoras precisam superar o modelo reativo de tratamento de dados para evitar retrabalhos e garantir auditorias transparentes

O setor de seguros passa por uma transformação estrutural impulsionada por exigências regulatórias cada vez mais granulares, frequentes e orientadas por dados. Nesse cenário, o grande desafio das companhias deixou de ser apenas a entrega das obrigações e passou a ser o controle e a compreensão do fluxo dessas informações.

Projetos regulatórios no setor de seguros costumam ser tratados como iniciativas de integração ou adequação tecnológica. Entretanto, quando posto em prática revelam uma complexidade muito maior. A construção desses fluxos envolve o mapeamento de dados distribuídos em múltiplos sistemas, a padronização de informações, a criação de pipelines de transformação e validação e a definição de mecanismos de governança que garantam consistência ao longo do tempo.

O problema central não está apenas na complexidade técnica, mas na falta de visibilidade sobre o que acontece entre a origem e a entrega do dado. Em muitas organizações, os dados são processados, mas não são efetivamente compreendidos ao longo do caminho. Isso gera inconsistências identificadas apenas nas etapas finais, retrabalho constante em integrações e dificuldade de explicar divergências para áreas internas ou auditorias.

Para Aldo Pires, CEO da consultoria de tecnologia add e especialista com quase 30 anos de atuação no mercado de seguros, as constantes atualizações de layouts e normas do órgão regulador fizeram com que muitas seguradoras passassem a encarar cada mudança normativa como um novo e custoso projeto, sem dar a devida importância a fragmentação das informações enviadas.

“Processos conduzidos dessa forma costumam apresentar inconsistências, que infelizmente só são detectadas na última hora, gerando retrabalho massivo e dificuldades perante auditorias”. Para exemplificar o problema, Aldo lembrou de um caso em que uma seguradora havia enviado um lote com mais de mil apólices para a autarquia. “Apenas uma delas estava errada, mas como o sistema não sabia apontar qual era exatamente, foi necessário refazer 100% do trabalho”, completou.

Segundo o especialista, trata-se de um modelo reativo, em que o controle acontece somente depois que a falha for detectada. “Por isso dizemos que não basta apenas entregar as informações solicitadas, mas compreender, rastrear e confiar no que está sendo entregue. A capacidade de explicar o dado — sua origem, transformações e validações — é também muito importante”.

Para solucionar essa dor de mercado, ele defende a transição para uma arquitetura orientada pela observabilidade. “Diferente do monitoramento de TI tradicional, que apenas avisa se um sistema está fora do ar, a observabilidade funciona como um raio-X em tempo real do pipeline de dados. Ela permite identificar desvios e erros na raiz, antes que afetem a entrega final ou a operação da seguradora”, explica.

“Foi com base na nossa experiência prática com grandes players do setor de seguros que desenvolvemos uma solução concebida para integrar governança, conformidade e monitoramento em uma arquitetura única, blindando as operações contra os riscos da fragmentação tecnológica”, disse Ricardo Gondim, Chief Technology Officer (CTO) da add.

De acordo com ele, no Framework Regulatório by add, a observabilidade nativa faz com que as adaptações ocorram de forma incremental e ágil, mitigando riscos operacionais. “A nossa proposta redefine o papel das áreas de compliance. Ao estruturar e dar transparência aos fluxos de informações, as seguradoras conseguem identificar gargalos históricos e padrões operacionais. Dessa forma, o que antes era visto estritamente como um centro de custo obrigatório passa a gerar inteligência de negócios e eficiência operacional para as companhias”, concluiu.

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