Crescimento de 14% no ecossistema de insurtechs da América Latina, com investimentos chegando a US$ 90 milhões no primeiro semestre de 2026

  • O ecossistema de insurtechs da América Latina alcançou 576 startups, registrando sua maior taxa de crescimento desde 2023 e reduzindo sua taxa de mortalidade para 7%, consolidando uma tendência de maturidade e resiliência na região.
  • Os investimentos somaram US$ 90 milhões no primeiro semestre de 2026, colocando o ano em linha com os níveis registrados em 2025.
  • O segmento de Mobilidade continua liderando o ecossistema de insurtechs da região, enquanto Life & Care concentrou 76% dos investimentos captados. A inteligência artificial agêntica ganha destaque como uma das principais alavancas de transformação do setor.

O ecossistema de insurtechs da América Latina continua apresentando crescimento consistente. De acordo com a mais recente edição do relatório Latam Insurtech Journey, elaborado pela Digital Insurance LatAm e patrocinado pela MAPFRE, o mercado latino-americano atraiu US$ 90 milhões em investimentos durante o primeiro semestre de 2026, tornando este o terceiro melhor período de captação desde a pandemia. Caso esse ritmo seja mantido no segundo semestre, 2026 poderá encerrar com resultados semelhantes aos de 2025.

Em relação ao número de empresas, o total de insurtechs ativas na região chegou a 576, representando um crescimento anual de 14%, a maior taxa desde 2023. Além disso, a mortalidade das startups continua em queda, atingindo 7%, o menor índice dos últimos anos.

O estudo também destaca a crescente influência da inteligência artificial no desenvolvimento do setor. Atualmente, existem 18 insurtechs especializadas em IA agêntica, categoria praticamente inexistente há dois anos e que vem impulsionando soluções em áreas como gestão de sinistros, detecção de fraudes, subscrição de riscos e atendimento ao cliente.

Um ecossistema mais maduro e resiliente

O crescimento do ecossistema é acompanhado pela melhora de seus principais indicadores. Nos últimos 12 meses, nasceram 102 novas startups, enquanto 35 encerraram suas atividades, resultando em uma relação de 3,5 empresas criadas para cada empresa descontinuada, o melhor desempenho dos últimos anos.

O Brasil segue como o principal mercado de insurtechs da região, com 217 startups, seguido por México (150), Chile (112) e Argentina (110).

Também se destacam mercados em forte expansão, como Uruguai (+39%), América Central (+29%) e Colômbia (+20%), que registram algumas das maiores taxas de crescimento da região.

A internacionalização continua sendo uma característica marcante do ecossistema. Atualmente, 19,7% das empresas atuam em mais de um mercado latino-americano ou têm origem fora da região. Embora esse indicador continue elevado, seu crescimento anual é de 7%.

“Não é que as empresas do ecossistema de insurtechs não estejam se internacionalizando; é que cada vez mais startups locais estão sendo criadas e, mais cedo ou mais tarde, também se internacionalizam”, explica Hugues Bertin, CEO e fundador da Digital Insurance LatAm. “A internacionalização é um indicador da boa saúde do ecossistema, já que a probabilidade de uma insurtech que atua em apenas um país desaparecer é quatro vezes maior.”

O índice de atração de empresas estrangeiras é de 33%, um aumento de 3% em relação a julho de 2025, quando era de 31,9%. Isso significa que, em média, três em cada dez insurtechs presentes em um mercado latino-americano são estrangeiras.

Os países que mais atraem insurtechs internacionais são Peru (68%), Colômbia (53%) e México (42%).

Mobilidade mantém liderança; Life & Care concentra investimentos

O segmento de Mobilidade permanece como o maior ecossistema de insurtechs da América Latina, reunindo 211 empresas, o equivalente a 37% das startups da região. Nesse segmento, destacam-se modelos digitais de distribuição, corretoras especializadas, soluções de telemetria e novas propostas voltadas ao transporte e à mobilidade.

Já o segmento de Life & Care consolida sua posição como um dos principais motores de crescimento do setor. Com 151 insurtechs, representa 26% do ecossistema regional e concentrou 76% de todo o investimento captado no primeiro semestre de 2026, impulsionado principalmente por soluções ligadas à saúde, bem-estar, vida e envelhecimento.

O relatório também aponta avanços em categorias tecnológicas relacionadas à inteligência artificial, prevenção a fraudes, dados, precificação, subscrição de riscos e plataformas para corretores e intermediários, um dos segmentos que mais evoluiu no último ano.

Equilíbrio entre distribuidores e habilitadores

Atualmente, 48% das insurtechs atuam na distribuição de seguros, enquanto 52% desenvolvem soluções habilitadoras para o mercado.

Entre os distribuidores, a maior parte está concentrada nas linhas de automóveis e residencial, utilizando modelos de Broker e MGA (Managing General Agent), que representam 40% desse grupo.

Grande parte das empresas de intermediação digital direta ao consumidor (D2C) migrou para o modelo B2B2C, fornecendo plataformas para distribuição. Além disso, surgiram novos players totalmente digitais focados em ampliar os canais de distribuição.

Entre as empresas habilitadoras, duas categorias vêm crescendo rapidamente: agentes baseados em inteligência artificial (6%) e soluções voltadas para fraude, dados, precificação, risco e subscrição (7%). Ainda assim, a maior parte continua concentrada em soluções para digitalizar a intermediação tradicional (18%).

Declarações

Hugues Bertin, CEO e fundador da Digital Insurance LatAm:

“Este semestre marca um ponto de virada, com uma aceleração do crescimento do ecossistema de insurtechs na América Latina. A democratização da inteligência artificial é um dos fatores que explicam essa tendência. Por um lado, ela transforma internamente as insurtechs, aumentando sua eficiência e fortalecendo sua proposta de valor. Por outro, o setor tradicional de seguros também precisa evoluir e colaborar com soluções externas, incluindo insurtechs, que possam ser implementadas rapidamente e gerar impactos concretos. Nesta 12ª edição do relatório, destacamos as soluções voltadas para agentes e corretores tradicionais, categoria que cresce 36% ao ano. Essa evolução demonstra que todo o ecossistema está se transformando e que o canal tradicional de seguros faz parte desse processo, impulsionado pela digitalização e pela inteligência artificial agêntica.”

Carlos Cendra, Scouting & Investment Lead em Corporate Innovation da MAPFRE:

“Os dados desta edição confirmam que o ecossistema de insurtechs da América Latina continua sua trajetória muito positiva. A força do setor é refletida no crescimento do número de startups, na queda da taxa de mortalidade e nos níveis de investimento, que posicionam 2026 como um ano de grande potencial e, caso a tendência do primeiro semestre se mantenha, um dos melhores do período pós-pandemia. Além disso, tendências como a inteligência artificial agêntica, o crescimento de Life & Care e os novos modelos de distribuição estão impulsionando uma nova fase de inovação no mercado de seguros. Na MAPFRE, continuaremos acompanhando de perto a evolução desse mercado e as oportunidades que ele gera para todo o ecossistema.”

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