Segundo a corretora, aumento das incertezas dificulta a precificação de riscos e já provoca suspensão de coberturas e elevação de custos em linhas ligadas ao comércio global, à energia e à logística
A escalada das guerras e das tensões geopolíticas, sobretudo no Oriente Médio, tem dificultado a precificação de riscos no mercado de seguros global. É o que aponta a Lockton, maior corretora de seguros independente do mundo. Segundo a companhia, o aumento das incertezas torna os riscos voláteis e de difícil modelagem, o que provoca dois movimentos simultâneos: a suspensão de coberturas para áreas de conflito e a elevação generalizada dos custos de seguro, principalmente em linhas expostas ao comércio global, à energia e à logística.
A Lockton observa ainda uma mudança estrutural no perfil de risco: as cadeias globais passam a ser vistas como mais frágeis e mais suscetíveis a interrupções.
Aumento de custos já aparece nas apólices
De acordo com a Lockton, esse aumento de custo já pode ser observado de forma clara e concreta nas apólices com destaque para os riscos relacionados a transporte:
- Seguro marítimo (embarcações e cargas): para o risco de guerra, a cobertura, em geral, foi literalmente suspensa.
- Seguro de transporte e logística: o aumento de custos considerou as rotas mais longas e, portanto, o maior tempo de exposição ao risco.
Rotas e regiões mais impactadas
Wagner Spindola Diretor Executivo, Marine Cargo & Non Cargo da Lockton Brasil pondera. “Os aumentos não são homogêneos e dependem de outras variáveis, como o tipo de mercadoria, a qualidade do transporte e a experiência particular de cada operação. Regiões diretamente ligadas aos conflitos concentram os impactos mais significativos”, explica.
- Mar Vermelho / Canal de Suez (principal hotspot);
- Rotas redirecionadas via Cabo da Boa Esperança (+10 a 14 dias);
- Estreito de Bab el-Mandeb e Golfo de Áden; e
- Áreas de ataques a navios, como o Estreito de Ormuz e o Mar Negro / Leste Europeu, este último ainda com impacto residual da guerra entre Rússia e Ucrânia.
“Não temos observado um aumento significativo na procura por seguros desde o início das tensões geopolíticas mais recentes. Mas percebemos uma mudança nos trajetos escolhidos pelas empresas para manter suas coberturas”, explica Wagner.
Para a Lockton, é uma tendência, ainda que não seja possível afirmar com exatidão, que os seguros ligados ao comércio internacional e à logística se tornem estruturalmente mais caros nos próximos anos. A expectativa da companhia é que o mercado passe a ser muito mais criterioso em suas análises e na precificação dos riscos.
“O ambiente global entrou em uma nova era de risco estrutural elevado, o que torna primordial considerar os aspectos geopolíticos nas operações das empresas. Nesse contexto, os seguros deixam de ser apenas proteção e passam a ser um instrumento estratégico de resiliência e competitividade, especialmente em operações internacionais”, conta o executivo.
A companhia recomenda que as empresas adotem uma abordagem consistente e coerente na revisão de seus contratos de seguro (apólices), considerando diversificação de risco, integração entre risco e estratégia, revisão de programas de seguros e gestão ativa da cadeia de suprimentos


