A vinda do Neymar para o time da Loovi acelerou muito a divulgação, as vendas e, consequentemente, o faturamento
A China já mudou a forma como o brasileiro olha para o carro. A chegada acelerada de marcas como BYD, GWM, GAC e Geely ampliou a presença de veículos elétricos e híbridos, pressionou montadoras tradicionais, trouxe preços mais competitivos e colocou tecnologia, escala e eficiência no centro da disputa automotiva nacional. Esse movimento, porém, começa a ultrapassar a indústria e alcançar os serviços que orbitam o automóvel. No Brasil, onde a frota segue majoritariamente fora do seguro tradicional, mostram que apenas 30% dos veículos têm proteção securitária, enquanto mais de 70% ainda circulam sem seguro. Mesmo assim, o seguro auto deve movimentar cerca de R$ 60 bilhões em 2026, revelando uma contradição importante: há frota, risco e demanda, mas o modelo tradicional ainda não consegue chegar a boa parte dos motoristas.
É nesse ponto que a Loovi tenta construir uma nova leitura para o setor. A empresa não importou carros chineses nem atua como extensão de uma montadora asiática. O que a insurtech trouxe para o Brasil foi uma lógica de operação inspirada no mercado chinês, baseada em escala, tecnologia, contratação digital, redução de preço e simplificação da jornada do consumidor. Antes de fundar a companhia, Quezide, CEO da Loovi, morou 1 ano na China e acompanhou de perto um ambiente em que serviços financeiros, mobilidade, varejo e tecnologia avançaram a partir de produtos mais simples, acessíveis e integrados ao celular. “Meu maior aprendizado na China foi usar a tecnologia para simplificar processos, reduzir custos e ampliar o acesso. Minha missão é fazer isso no cenário do seguro. No seguro auto, enxergamos a mesma oportunidade, transformar uma contratação historicamente cara em uma experiência mais barata e compatível com a realidade do motorista brasileiro”, afirma Quezide, CEO da Loovi.
Na prática, a Loovi aposta em uma contratação 100% digital, feita em poucos minutos e sem a análise tradicional de perfil que costuma alongar a jornada no seguro convencional. O consumidor faz a cotação, contrata, baixa o aplicativo, envia as fotos do veículo e conclui a proteção pelo celular. A empresa afirma ter alcançado quase 10 bilhões de visualizações nas redes sociais no último ano e ampliado sua presença nacional com nomes como Neymar Jr., Renato Cariani, Whindersson Nunes e outros influenciadores em sua estratégia de comunicação. Hoje, a Loovi está presente em mais de 4 mil municípios brasileiros e atua como representante oficial da LTI Seguros S.A., plataforma de seguro do mesmo grupo empresarial, que participou do Sandbox Regulatório da Susep e avançou para uma nova fase definitiva após autorização do órgão regulador. A combinação entre distribuição digital, inteligência artificial, presença nacional e comunicação direta com o consumidor coloca a companhia em uma frente ainda pouco explorada no mercado brasileiro: tornar o seguro auto mais rápido, simples e acessível para quem nunca conseguiu entrar no modelo tradicional.
Para Quezide, a comparação com os carros chineses ajuda a explicar uma mudança mais ampla de mentalidade. A China passou a ser associada, no Brasil, a veículos mais tecnológicos, estratégias agressivas de preço, eficiência operacional e capacidade de escala. Essa mesma lógica, segundo ele, pode influenciar setores ligados à mobilidade, como seguros, crédito, meios de pagamento, assistência e serviços digitais. “Não se trata de copiar a China, mas de entender o que fez aquele mercado ganhar velocidade. O Brasil tem uma frota enorme, milhões de motoristas fora do seguro e uma população acostumada a resolver a vida pelo celular. O desafio é adaptar esse aprendizado a um mercado regulado, com segurança jurídica, atendimento eficiente e uma jornada que faça sentido para quem hoje olha para o seguro e ainda vê um produto caro, distante ou difícil de contratar. Conseguimos adaptar esse aprendizado a um mercado regulado, com segurança jurídica, atendimento eficiente e uma jornada simples para o consumidor. A Loovi superou uma das maiores barreiras do setor ao mostrar que é possível oferecer um seguro mais acessível, digital e rápido, sem perder controle, transparência e responsabilidade operacional para quem ainda via esse produto como caro, distante ou difícil de contratar, conclui.
O avanço da Loovi ocorre em um momento em que o mercado segurador discute como ampliar penetração sem abrir mão de controle de risco, regulação e sustentabilidade operacional. A baixa adesão ao seguro auto revela um problema estrutural de acesso, mas também uma oportunidade para modelos capazes de combinar tecnologia, escala e distribuição digital. Se os carros chineses aceleraram uma transformação industrial ao colocar preço, eletrificação e inovação no centro da disputa, a próxima mudança pode ocorrer nos serviços que acompanham essa nova frota. Para o mercado brasileiro, a provocação é direta: depois de mudar o tipo de carro que chega ao consumidor, a lógica chinesa começa a inspirar também a forma como esse carro pode ser seguro.


