O endereço de uma empresa diz a um subscritor onde ela está sediada, mas diz cada vez menos sobre onde ela realmente faz negócios.
Vendedores de alimentos operam em mercados e eventos comunitários. Prestadores de serviços passam boa parte do tempo nas instalações de seus clientes. Na temporada de festas de fim de ano, festivais e eventos de varejo temporários costumam obrigar pequenas empresas a trabalhar longe de sua sede por períodos mais longos.
Para os subscritores, tratar um único endereço como valor fixo pode ocultar os diferentes tipos de exposição que surgem quando o negócio opera fora do estabelecimento. Esses riscos costumam incluir exposição de propriedade, responsabilidade civil de estabelecimento, responsabilidade civil por produtos e, no caso de empreiteiros, o risco de cuidado, custódia ou controle (CCC, na sigla em inglês).
A cobertura de propriedade pode mudar quando o negócio se desloca
Duas empresas com o mesmo nível de faturamento podem ter exposições de propriedade fora do estabelecimento bastante diferentes, dependendo do volume e da frequência com que seu estoque é transportado. Uma pode conduzir quase todo o negócio on-line e despachar os pedidos sempre do mesmo local. Outra pode seguir modelo semelhante durante a semana, mas passar os fins de semana vendendo diretamente aos clientes em outros lugares.
Muitos formulários de BOP (business owner’s policy, apólice multirrisco para pequenos negócios nos EUA) oferecem cobertura limitada para bens fora do estabelecimento, em geral como um sublimite fixo, e não como percentual do limite total de bens pessoais do negócio. Outros formulários podem prever limites ou condições diferentes, inclusive cobertura até o limite total desses bens.
Uma cobertura limitada fora do estabelecimento pode ser adequada para atividades ocasionais, como a de um varejista que participa de uma única feira de fim de ano. Já empresas com operações móveis regulares podem apresentar perfil de exposição diferente. Vendedores de alimentos, empreiteiros que transportam equipamentos e comerciantes que frequentam feiras com regularidade podem ter bens longe do local principal durante boa parte do ano.
Para esses negócios, aumentar o sublimite do BOP pode não bastar. Dependendo da operação, pode ser apropriada uma cobertura separada de inland marine (seguro de bens em trânsito e equipamentos móveis), como um transportation floater, cobertura de equipamentos relacionados ou um installation floater para empreiteiros.
Subscritores, agentes ou gestores de risco devem determinar quanta propriedade deixa o estabelecimento e se a exposição é rara o bastante para justificar uma extensão do BOP ou frequente o bastante para exigir uma cobertura à parte.
Responsabilidade de estabelecimento e de CCC representam exposições distintas
A responsabilidade civil de estabelecimento não aumenta da mesma forma que a exposição de propriedade, porque o seguro de responsabilidade civil geral normalmente não é específico de um local. O nível de exposição depende de fatores como o fluxo de pessoas e o tipo de local. Um vendedor em um grande festival pode ter mais exposição do que o mesmo vendedor operando diante de sua própria loja.
Os prestadores de serviços enfrentam um desafio específico na responsabilidade por cuidado, custódia e controle. As apólices de responsabilidade civil geral comercial costumam restringir a cobertura de danos a bens sob o cuidado, a custódia ou o controle do segurado. Empreiteiros que trabalham em propriedades de clientes podem precisar de um installation floater ou de um endosso específico de CCC, conforme o trabalho e a apólice.
Abordagens da exposição fora do estabelecimento que se concentram sobretudo em vendedores e estandes de eventos podem deixar de fora uma parcela significativa das empresas afetadas. Empreiteiros e outros prestadores de serviços podem passar grande parte do tempo de trabalho em propriedades de terceiros.
Além disso, atividades externas podem criar exigências de seguro antes mesmo de a empresa participar de um evento ou iniciar um trabalho para um cliente. Festivais, locais de eventos e contratos com clientes podem exigir comprovante de seguro ou a inclusão de terceiros como segurados adicionais.
Se a apólice admite a condição de segurado adicional de forma genérica ou exige um endosso individual, como o CG 20 26, isso pode se tornar uma questão de cobertura, e não apenas de obtenção de documentos.
O apetite da seguradora também pesa, além dos termos expressos na apólice. Uma seguradora pode não excluir expressamente certas exposições fora do estabelecimento ou de eventos especiais, mas pode enxergar de outra forma uma atividade regular e não declarada ao avaliar a conta na renovação. Manter atualizados os arquivos de subscrição é especialmente importante quando o trabalho externo ocasional passa a ser parte regular do negócio.
A responsabilidade por produtos pode cruzar fronteiras
O território de cobertura do seguro padrão de responsabilidade civil geral comercial (CGL, na sigla em inglês) costuma abranger os Estados Unidos, incluindo seus territórios e possessões, o Canadá e Porto Rico.
A responsabilidade por produtos pode oferecer cobertura para lesões envolvendo um produto fora desse território, em certas condições. Um produto fabricado ou vendido dentro do território de cobertura pode causar danos no exterior, mas a cobertura pode depender de onde o processo resultante for ajuizado. Uma empresa americana cujo produto cause lesão no exterior ainda pode ter cobertura se a ação for movida dentro do território especificado pela apólice.
Essa limitação jurisdicional cria outra possível lacuna quando uma empresa começa a operar internacionalmente. Expor em uma feira internacional, vender diretamente a mercados estrangeiros ou estabelecer presença física no exterior pode gerar exposições que vão além do que uma apólice CGL doméstica padrão costuma cobrir.
Empresas com essas operações podem precisar de uma apólice separada de responsabilidade civil para o exterior. Dependendo dos termos, essa cobertura pode ir além da responsabilidade por produtos e incluir responsabilidade de estabelecimento e operações, além de outras exposições que surjam fora do país.
Muitas vezes as empresas entram em mercados internacionais de forma gradual. Uma feira ocasional pode levar a eventos internacionais regulares, ou a empresa pode começar a vender em novos mercados sem enxergar a mudança como uma grande expansão. A exposição de seguro pode crescer junto com essas atividades.
A atividade fora do estabelecimento levanta uma questão de tarifação e de dados
Os códigos de classificação fornecem informações úteis sobre o que uma empresa faz, mas podem dizer menos sobre a frequência com que ela opera longe do local principal.
Isso levanta uma questão de tarifação para as seguradoras: a frequência de operações externas deveria se tornar uma variável separada, em vez de algo que os subscritores deduzem dos códigos de classificação?
Perguntas na contratação e na renovação podem ajudar os subscritores a distinguir empresas com atividade externa ocasional daquelas com exposição mais padrão. Os riscos podem estar ligados à frequência de eventos, ao percentual da receita proveniente de vendas fora do local, ao raio geográfico, a operações ou viagens ao exterior e à regularidade com que funcionários se deslocam a canteiros de obras ou locais de serviço.
As propostas digitais podem tornar essas perguntas mais direcionadas. Uma resposta afirmativa sobre operações fora do local pode acionar perguntas adicionais relevantes para aquele negócio, sem acrescentar etapas desnecessárias para quem opera exclusivamente de um único local.
O que isso significa na renovação
Os donos de negócios podem não sinalizar a atividade externa sazonal como uma mudança significativa, mas ela pode alterar o controle da propriedade ou a exposição de responsabilidade de maneiras que só aparecem quando o período anterior é revisado.
As seguradoras podem identificar essas mudanças padronizando algumas perguntas na renovação:
- Com que frequência o negócio operou fora do estabelecimento durante a vigência e em quais locais?
- A receita fora do estabelecimento ou a frequência de eventos aumentou desde a contratação da apólice?
- No caso de empreiteiros, a exposição de CCC está contemplada ou presume-se que esteja dentro da apólice de responsabilidade civil geral?
- O negócio realizou alguma operação fora do território de cobertura da apólice durante a vigência?
- Há funcionários em número suficiente viajando regularmente a locais de trabalho ou eventos a ponto de afetar a classificação de seguro de acidentes de trabalho?
O crescimento nem sempre chega por meio de uma nova loja, de uma sede maior ou de outro local permanente. Pode ocorrer aos poucos, à medida que o negócio passa a gerar mais receita fora do estabelecimento.
Feiras de outono e eventos de fim de ano tornam esses padrões particularmente visíveis, mas revelam uma questão de subscrição que existe o ano todo. Entender onde uma pequena empresa opera, o que acontece ali e como seu padrão de operação muda ao longo do tempo pode dar às seguradoras um retrato mais fiel do que o endereço sozinho.
Escrito por Chris Van Leeuwen, vice-presidente de desenvolvimento profissional na Insurance Canopy.
Com informações de Insurance Thought Leadership.


