Matéria de Ivan Ryngelblum, do Neoofed
O Asaas está estreando no mercado de seguros por meio de um M&A que inaugura um novo ciclo de crescimento da plataforma de automação e gestão financeira para pequenas e médias empresas (PMEs).
A empresa anuncia na quarta-feira, 28 de janeiro, a aquisição da Mutuus Seguros, insurtech que atua como corretora digital de seguros, atendendo exclusivamente o mercado corporativo com soluções como proteção de cargas e seguros de vida. Os termos financeiros da operação não foram revelados
A aquisição, a quarta do Asaas nos últimos quatro anos, abre uma nova avenida de crescimento e estratégia para a companhia. Visando alcançar R$ 2 bilhões em receita até o fim de 2028, a empresa começa a explorar formas de agregar novos mercados e fontes de receita, sem perder de vista as necessidades das PMEs.
“A chegada da Mutuus representa uma nova vertical no Asaas, cumprindo um papel importante dentro do nosso próximo ciclo de crescimento, ampliando o portfólio de produtos, gerando valor no longo prazo e reforçando nossa posição frente aos múltiplos players”, afirma Piero Contezini, presidente e fundador do Asaas, ao NeoFeed.
O acordo prevê que o Asaas ficará com o controle da Mutuus, com a liderança da insurtech, incluindo seu fundador, Andress Barão, tornando-se executivo da empresa.
A insurtech seguirá operando um canal próprio em paralelo, dedicado exclusivamente ao mercado de seguros, independente da jornada integrada na plataforma. Assim, continuará como corretora independente, prestando serviços também para quem não é cliente do Asaas, sendo uma marca do grupo.
O movimento do Asaas acontece em um setor que vem ganhando tração no Brasil. Hoje, existem mais de 200 insurtechs ativas no País, com aportes que ultrapassaram R$ 600 milhões em 2025.
A insurtech seguirá operando um canal próprio em paralelo, dedicado exclusivamente ao mercado de seguros, independente da jornada integrada na plataforma. Assim, continuará como corretora independente, prestando serviços também para quem não é cliente do Asaas, sendo uma marca do grupo. O movimento do Asaas acontece em um setor que vem ganhando tração no Brasil. Hoje, existem mais de 200 insurtechs ativas no País, com aportes que ultrapassaram R$ 600 milhões em 2025.
Esse crescimento é impulsionado por iniciativas regulatórias, como o sandbox da Susep, e pela baixa penetração dos seguros em relação ao PIB brasileiro – um espaço que abre oportunidades para startups que apostam em tecnologia e novos modelos de distribuição.
Segundo Pedro Rocha, vice-presidente de novos negócios do Asaas, a decisão de manter uma operação stand-alone visa capturar o máximo de valor do mercado de seguros, que registrou faturamento de R$ 750 bilhões em 2024, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).
A expectativa é que os dois canais resultem em faturamento de R$ 130 milhões em 2029. O Asaas alcançou em setembro receita anualizada de R$ 500 milhões e espera fechar 2026 com mais de R$ 1 bilhão.
“O mercado de seguros tem alto potencial no Brasil. Comparado a países desenvolvidos, estamos atrás na representatividade de apólices em relação ao PIB. Há grande espaço para crescimento nos próximos anos”, diz Rocha
A entrada no setor começou no início do ano passado, como parte do plano de ampliar e diversificar o portfólio, definido no fim de 2024, ano marcado pelo aporte de R$ 820 milhões liderado pela gestora americana Bond, de Mary Meeker.
A base de investidores inclui SoftBank, 23S Capital (parceria entre Temasek e Votorantim), Endeavor Catalyst e, mais recentemente, Vivo Ventures, que aportou R$ 35 milhões em setembro.
A operação também representa um novo formato de M&A para o Asaas. Até então, o foco era ferramentas agregadas à plataforma – em 2021, por exemplo, adquiriu o Base ERP, para ampliar funcionalidades de gestão financeira, e a Code Money, carteira digital para pessoas físicas.
Esse novo modelo de M&A veio junto com a criação da área de novos negócios, no fim do ano passado, para cuidar das empresas adquiridas e conectá-las à plataforma. O departamento responde diretamente a Contezini
Com essa estrutura, o Asaas mantém o motor de M&A ativo, contando com os recursos recebidos nos últimos anos para fortalecer seu ecossistema. Rocha afirma que a companhia considera novas aquisições no mesmo formato da Mutuus, mas também busca ativos que possam ser incorporados à jornada do Asaas.
“Se acreditarmos que é uma frente promissora, com crescimento claro de forma independente, a ideia é dar liberdade para a companhia seguir autônoma”, diz Rocha. “Mas é importante também ter sinergias.”
Apesar das perspectivas de receita da vertical de seguros e do grupo em geral, o Asaas não pretende antecipar os planos de IPO. Assim como PicPay e Agibank, quer abrir capital nos Estados Unidos, mas mantém a ideia de realizar a operação em dois ou três anos, se houver janela favorável.


