Evento reuniu líderes e especialistas de seguradoras, consultorias e big techs para discutir o futuro do setor, governança de IA e a evolução do Sandbox ao S3
O mercado segurador brasileiro reuniu nesta quinta-feira (10.9), alguns dos seus principais executivos, especialistas em tecnologia e líderes de inovação durante o insureMO Create & Connect. O encontro foi realizado no Amcham Business Center, em São Paulo, e debateu as transformações estruturais do setor, destacando estratégias para superação de infraestruturas legadas, integração de inteligência artificial gerencial e operacional, eficiência regulatória e cases práticos de escalabilidade no mercado.
A abertura do evento foi conduzida por Rafael Rodrigues, general manager Latam do insureMO, que apresentou o panorama global da inovação em seguros e destacou como ecossistemas abertos, arquiteturas de API e a chegada dos agentes de IA estão redefinindo a agilidade das companhias no Brasil e no mundo.
O destaque do debate foi a transição da IA da teoria para a operação. Em vez de telas isoladas, os agentes de IA passam a atuar como serviços integrados às APIs de cotação, emissão e sinistro. Eles entregam resultados estruturados — com justificativa, grau de confiança e rastro de execução —, garantindo a revisão humana, a auditoria e a segurança de dados que o setor exige antes de falar em produtividade.
O insureMO apresentou ainda os dois territórios onde a IA gera resultados mensuráveis no setor. O primeiro é a engenharia de seguros (que envolve produto, requisitos, testes e documentação), com ganhos diretos em prazo e qualidade. O segundo é a operação de negócio, com agentes focados em subscrição, sinistros, processamento direto e detecção de fraudes, que podem ser consumidos de forma isolada ou combinada sem alterar a jornada do usuário.
“A pergunta em 2026 já não é se a seguradora vai usar inteligência artificial, mas quantos dos seus pilotos chegaram de fato à produção. O que separa os dois grupos raramente é o modelo: é ter as funções de negócio disponíveis como APIs governadas, que um agente possa descobrir, chamar e ter o resultado auditado. Sem essa camada, IA em seguros continua sendo demonstração”, afirmou Rafael Rodrigues, general manager Latam do insureMO.
Outros painéis que chamaram a atenção foram os que abordaram a jornada de criação e operacionalização de seguradoras modernas. Éverson da Silva, diretor administrativo e operacional da Herval Seguradora, empresa do Grupo Herval; e Weliton Costa, business development director Latam do insureMO, apresentaram o case de implementação de uma nova seguradora em apenas seis meses, detalhando os desafios tecnológicos e as decisões operacionais para garantir a entrada rápida no mercado.
Na vertente de seguros agropecuários e transição regulatória, a PIN Seguradora apresentou seu case de sucesso na transição do Sandbox Regulatório da Susep para a licença definitiva S3. Vanessa Porcino, diretora de operações da empresa; e Sheila de Carvalho, business development director do insureMO, demonstraram como a infraestrutura digital e integrada permitiu escalabilidade técnica e conformidade contínua durante a expansão da operação.
Já a aplicação de Inteligência Artificial e a governança de dados pautaram grande parte dos debates do evento. No painel focado em IA generativa e governança, Adriano Candido, vice-presidente de negócios da Softtek; Carlos Piacentini, sócio da Vanzin e Penteado Advogados; e Umberto Reis, sócio e diretor da Noorden, analisaram os riscos jurídicos, a proteção de dados e a governança corporativa na implementação de modelos algorítmicos em seguradoras.
Complementando a visão analítica, Ronaldo França, business development manager Latam da AWS; e Rodrigo Frahlich, superintendente de arquitetura de TI da HDI Seguros, detalharam como transformar o volume massivo de informações disponíveis em resultados financeiros concretos utilizando projetos de IA e nuvem. Por sua vez, Gustavo Pereira, director insurance na NTT DATA, trouxe reflexões profundas sobre a coexistência e superação de dados desconectados e sistemas legados, apresentando caminhos pragmáticos de transição tecnológica.
Já o encerramento do bloco internacional e de tendências globais contou com a participação da WTW. Felipe Barranco, diretor de canais e parcerias, juntamente com Rafael Rodrigues, apresentaram a visão de futuro e as perspectivas para o mercado brasileiro a partir do projeto global de implementação de IA da WTW.
Por fim, o compliance regulatório foi discutido no painel ministrado por Aldo Pires, CEO da add; Carlos Radicchi, diretor comercial da Confitec; e Adriano Garcias, sócio da Tecnologia Única, que destacaram o papel da tecnologia como viabilizadora das exigências normativas do ecossistema segurador brasileiro.
O evento contou ainda com uma pitch session com soluções emergentes e uma apresentação especial de José Prado, CEO do Insurtech Brasil e advisory board member do ITC Vegas, ressaltando a relevância da presença das lideranças brasileiras no maior encontro mundial de inovação em seguros.


