Seguradoras de nicho tendem a examinar os riscos da inteligência artificial caso a caso, em vez de excluí-los por completo, mas as incertezas sobre as responsabilidades são uma grande preocupação, afirmam executivos do mercado de excedentes e especialidades (E&S, na sigla em inglês).
A IA acelera tarefas no seguro, como a análise de submissões e a construção de carteiras, o que deixa as seguradoras relutantes em excluí-la das apólices de seus clientes.
Alguns executivos disseram, em entrevistas durante o encontro anual da Wholesale & Specialty Insurance Association, realizado no início desta semana, que enxergam a cobertura de IA como uma possível oportunidade de negócio para as seguradoras de especialidades, apesar da falta de informações sobre perdas potenciais.
“Não dizemos aos nossos segurados como fazer o trabalho deles”, afirmou Nir Gabay, head de responsabilidade profissional da Admiral Insurance, com sede em Cherry Hill, Nova Jersey. “Nem deveríamos, certo?”
Os subscritores da Admiral começaram a fazer perguntas para entender como os profissionais estão usando IA, disse ele. Entre os sinais de alerta estão profissionais que confiam na IA no lugar do próprio julgamento ou que a utilizam em vez de especialistas qualificados em tarefas como trabalho jurídico.
“Se eles dependem demais dela e não fazem de fato o que deveriam fazer, isso é muito ruim”, disse Gabay.
“Continuamos subscrevendo o risco individual, e é isso que nos define no E&S”, afirmou Lynanne St. Denis, head de propriedade e responsabilidade civil no atacado da Navigators, marca da The Hartford, com sede na Filadélfia. Segundo ela, as seguradoras de E&S podem ajudar a “incubar” novas formas de cobertura de IA, por terem maior liberdade para definir taxas e condições.
Em um mercado competitivo, no qual as seguradoras admitidas (reguladas, com tarifas e formulários aprovados) tentam recuperar negócios das seguradoras de nicho, a responsabilidade por IA é um risco emergente que os especialistas tendem a manter, disse Anurag Batta, presidente da Bridge Specialty Group, unidade da Brown & Brown, com sede em San Diego.
“É preciso criatividade, soluções mais sob medida. E o E&S está bem posicionado para capturar esse tipo de risco”, afirmou.
Cobrir ou excluir?
A ISO, organização de padrões do setor de seguros dos EUA, registrou no ano passado exclusões opcionais de responsabilidade civil geral para riscos de IA generativa. Mas os executivos presentes à conferência disseram que não pretendem adotá-las, o que ecoa o posicionamento de executivos no Insurance Leadership Forum, no início deste mês.
A CFC, agência de subscrição (MGA) focada em cibersegurança e negócios de tecnologia, incluiu cobertura afirmativa de IA em muitas de suas apólices, segundo Justin Camara, CEO da CFC USA, com sede em Nova York. A cobertura afirmativa “deve ajudar clientes e corretores a se sentirem confiantes de que essas situações ambíguas terão cobertura”, disse Camara.
“Há muita incerteza” sobre os danos do uso de IA, disse Camara, sobretudo à medida que agentes de IA se tornam mais autônomos. Os subscritores da CFC tentam administrar o risco de perda perguntando ao proponente “quais proteções ou controles existem para governar o uso (de IA)”.
Como a maioria das apólices é silenciosa quanto à cobertura de IA, muitas seguradoras podem não saber quanto risco estão assumindo, disse Erich Bublitz, vice-presidente executivo de E&S da AmTrust, com sede em Kansas City, Missouri.
“Ninguém entende completamente qual é a exposição real. Se você subscreve qualquer coisa com cauda longa ligada a IA, não faz ideia do que está subscrevendo neste momento”, afirmou.
Os casos envolvendo responsabilidade ligada à IA apenas começaram a tramitar nos tribunais, disse Ania Caruso, presidente nacional de casualty da Risk Placement Services, unidade de atacado da Arthur J. Gallagher & Co., com sede em Atlanta. Decisões que ajudem a esclarecer a exposição jurídica orientarão as seguradoras na criação de produtos de cobertura de IA.
“É aí que costuma surgir a solução”, disse Caruso. Até lá, “é o dilema do ovo e da galinha”.
Com informações de Business Insurance.


