O mercado de seguro garantia, que alcançou R$ 6,27 bilhões em 2025 após crescer 23,2% no ano e mais que dobrar de tamanho desde 2020, inicia uma nova fase marcada pela digitalização e pela integração tecnológica. Tradicionalmente operado por processos manuais e intermediados, o segmento passa a incorporar o modelo embedded, no qual a contratação ocorre diretamente dentro de plataformas digitais utilizadas pelas empresas em licitações, gestão contratual e operações corporativas. Esse movimento acompanha a evolução observada em outros serviços financeiros e surge em um contexto de expansão impulsionado pela nova Lei de Licitações, pelo avanço dos investimentos em infraestrutura e pelo aumento das garantias judiciais, que hoje representam cerca de 80% do volume do setor.
Para Felipe Ramos, founder e CEO da Granto Seguros, a mudança representa uma inflexão estrutural na forma como o produto é distribuído e percebido pelas empresas. “O seguro garantia está deixando de ser um produto complexo e burocrático para se tornar uma camada invisível dentro das plataformas que as empresas já utilizam. Isso deve ampliar o acesso, reduzir custos e transformar a forma como contratos são estruturados no Brasil.” A integração via APIs permite reduzir etapas operacionais que atualmente levam dias, criando uma jornada mais fluida e alinhada à velocidade exigida pelos negócios.
A simplificação operacional tende a ampliar o acesso ao seguro garantia entre pequenas e médias empresas, que historicamente enfrentam barreiras técnicas e burocráticas para contratar o produto. Com 44 seguradoras ativas e crescimento de 22% no número de players nos últimos cinco anos, o setor começa a diversificar canais de distribuição e diminuir a forte concentração no setor público, que ainda responde por 86,9% das operações. A incorporação do seguro às cadeias digitais de suprimentos e a plataformas privadas abre espaço para expansão do mercado endereçável e reposiciona o produto como infraestrutura estratégica para viabilizar contratos e destravar crédito corporativo.
Nesse cenário de transformação, Felipe Ramos avalia que o avanço do embedded insurance deve redefinir a lógica competitiva do setor e acelerar sua inserção na economia digital. “Quando o seguro garantia passa a ser oferecido no momento exato em que a empresa precisa fechar um contrato ou participar de uma licitação, ele deixa de ser um obstáculo operacional e se torna um facilitador de negócios, ampliando eficiência, concorrência e acesso ao mercado.” A expectativa é que esse novo modelo sustente a expansão do segmento nos próximos anos, com projeções indicando que o mercado pode superar R$ 10 bilhões até 2028 impulsionado pela digitalização e pela integração entre seguros, tecnologia e plataformas empresariais.


