O cenário de investimentos em insurtech em 2025 no Brasil já movimentou mais de R$ 600 milhões, indicando um amadurecimento do setor com foco em crescimento sustentável e tecnologia aplicada.
O ano de 2025 marca uma virada para o ecossistema de insurtechs no Brasil, acompanhando o movimento global. Segundo a Gallagher Re, o financiamento global em insurtechs atingiu US$ 1,31 bilhão no primeiro trimestre, um crescimento de 90,2% em relação ao trimestre anterior e o maior volume desde 2022. Esse avanço é puxado por startups focadas em inteligência artificial e por soluções no ramo de Property & Casualty, que responderam por US$ 1,13 bilhão do total investido.
O movimento representa uma transição do setor para uma fase de maior maturidade e foco em rentabilidade, superando o declínio observado em 2024, quando, segundo a MAPFRE, os aportes globais totalizaram US$ 4,25 bilhões — o menor volume anual desde 2018.
No Brasil, o monitoramento contínuo realizado pelo Insurtech Brasil revela que os investimentos já somam R$ 600 milhões até o momento em 2025. Esse valor se compara aos US$ 27,2 milhões (aproximadamente R$ 139,7 milhões) captados em 2024, o que já sinalizava uma retomada no país. Considerando os dados globais do primeiro trimestre, o Brasil se posicionou entre os principais países em volume de investimentos em insurtech, com quatro rodadas registradas e 6% de participação global.
A seguir, destacamos as principais rodadas que vêm definindo os rumos do setor em 2025:

Azos: R$ 170 milhões em rodada Série B para o seguro de vida
A Azos, insurtech especializada em seguros de vida, captou R$ 170 milhões (US$ 30,5 milhões) em uma rodada Série B liderada pela Lightrock. O investimento tem como objetivo fortalecer sua tecnologia e ampliar sua atuação em regiões como Nordeste, Centro-Oeste e Norte, com foco na popularização do acesso ao seguro.
Alice: R$ 127 milhões em extensão da Série C para a gestão de saúde corporativa
A Alice levantou R$ 127 milhões (US$ 22 milhões) em uma extensão da sua rodada Série C. A empresa, que atua com gestão de saúde corporativa, utilizará o investimento para expandir sua base de clientes e aprimorar o modelo de saúde proativa, com impacto direto na redução da sinistralidade e melhoria da qualidade de vida dos membros.
Darwin: R$ 100 milhões para entrar em novos seguros
A Darwin, insurtech focada em seguro auto, levantou R$ 102 milhões para expandir seu portfólio de produtos, investir em mais inteligência artificial e acelerar seu plano de expansão. A Darwin tem se diferenciado das grandes seguradoras com um modelo de precificação que usa dados sobre a qualidade da direção dos motoristas para precificar o seguro, premiando quem dirige com cautela e em regiões mais seguras e aumentando o preço para o mau motorista.
Justos: R$ 92 milhões em rodada bridge para o seguro auto com telemetria
A Justos, insurtech que oferece seguro auto baseado no comportamento do motorista, recebeu um aporte de R$ 92 milhões em uma rodada bridge. Liderada pela Ribbit Capital, a rodada irá financiar a expansão da companhia — que agora atua como seguradora S3 — e o desenvolvimento de soluções com inteligência artificial voltadas para seus parceiros corretores.
Split Risk: R$ 50 milhões em Private Equity para expandir o Insurance-as-a-Service
A insurtech Split Risk captou R$ 50 milhões em uma rodada de Private Equity. Os recursos serão utilizados para expandir sua plataforma digital com foco na criação e distribuição de produtos de seguro automotivo sob o modelo de Insurance-as-a-Service.
180 Seguros: R$ 50 milhões para compor capital regulatório da insurtech
A insurtech levantou R$ 35 milhões em equity e captou outros R$ 15 milhões com uma dívida subordinada que será usada para compor o capital regulatório exigido pela Susep. A rodada, que foi chamada de uma pré-Série B, elevou sua avaliação para R$ 1,35 bilhão, mais que dobrando seu valuation em relação à captação anterior.
Brick: R$ 5 milhões em rodada Seed para IA em subscrição e prevenção à fraude
A Brick levantou R$ 5 milhões em uma rodada Seed liderada pelos fundos Honey Island by 4UM e Broom Ventures, com participação de investidores como Alessio Alionço (Pipefy) e João del Valle (Ebanx). A startup desenvolve agentes de IA para automatizar subscrição e prevenção à fraude, com uma plataforma no-code que já atende mais de 650 empresas.
PicSel: R$ 5 milhões em rodada Seed com foco no seguro agrícola
A PicSel, insurtech voltada ao agronegócio, levantou R$ 5 milhões em uma rodada Seed liderada pela Arar Capital. A startup utiliza dados climáticos e imagens de satélite para calcular riscos com precisão, buscando agilizar a contratação de seguros para produtores rurais.
180 Seguros: R$ 2,5 milhões em extensão da pré-Série B com a Vivo Ventures
A 180 Seguros recebeu R$ 2,5 milhões do Vivo Ventures como extensão da sua rodada pré-Série B. O aporte fortalece a parceria estratégica com a Vivo para desenvolver novos produtos de seguros integrados à jornada digital da operadora, começando pelo seguro prestamista e com potencial para expandir para outras modalidades.
O futuro dos investimentos em insurtech em 2025
O primeiro semestre de 2025 mostra que o mercado brasileiro de insurtechs atingiu um novo patamar de maturidade. A tendência é que os investimentos no setor sigam direcionados a empresas que combinem crescimento com aplicação prática de tecnologia, em especial em distribuição, sinistros, automação de dados e embedded insurance.
Manteremos este conteúdo atualizado para acompanhar as próximas rodadas que devem moldar o futuro do setor de seguros no Brasil.

