Como a digitalização reduziu de seis dias para menos de um minuto a emissão do seguro garantia

Tecnologia desenvolvida pela Acoy integra seguradoras, corretoras e empresas em uma única plataforma e transforma uma operação historicamente marcada por processos manuais, descentralizados e burocráticos


A digitalização vem transformando diferentes setores da economia, e o mercado segurador acompanha esse movimento. No seguro garantia, uma modalidade estratégica para assegurar contratos públicos e privados, um dos principais desafios ainda estava na própria operação: durante anos, a emissão de uma apólice dependeu de consultas individuais às seguradoras, troca de documentos, análises manuais e diferentes etapas de validação entre empresas, corretoras e seguradoras.

O resultado era um processo mais lento e operacionalmente complexo. Para encontrar a melhor alternativa de contratação, empresas e corretoras precisavam consultar seguradoras individualmente, reunir documentação, acompanhar análises, revisar informações contratuais e conduzir negociações em diferentes ambientes. Em operações mais complexas, esse fluxo poderia durar até seis dias para a emissão da apólice.

Foi para resolver esse gargalo que a Acoy desenvolveu uma plataforma proprietária de gestão do seguro garantia, capaz de integrar toda a jornada da modalidade em um único ambiente digital. A tecnologia conecta seguradoras, corretoras e empresas, automatiza etapas operacionais e reduz o tempo de emissão de uma apólice de até seis dias para menos de um minuto.

“A importância do seguro garantia cresceu nos últimos anos, principalmente com o avanço de grandes contratos, obras de infraestrutura e novas demandas das empresas por segurança financeira. Mas a operação ainda funcionava de forma fragmentada, com sistemas que não conversavam entre si e muitos processos manuais. Esse descompasso se tornou um dos principais desafios da modalidade”, afirma Edson Barros, sócio-diretor da Acoy.

Fundada em 2018 por Barros, profissional com experiência nos mercados segurador e de tecnologia, a insurtech nasceu justamente para solucionar a falta de integração entre os diferentes participantes envolvidos na contratação do seguro garantia. A empresa desenvolveu um sistema próprio, configurável de acordo com a realidade de cada cliente, permitindo adaptar fluxos, integrações e funcionalidades às necessidades específicas de cada operação.
 

“Cada empresa possui processos internos, regras de aprovação, sistemas e necessidades diferentes. Por isso, desenvolvemos uma tecnologia que não é engessada. Nossa plataforma se adapta à operação de cada cliente, conectando os participantes do ecossistema do seguro garantia e permitindo uma jornada mais simples, rápida e eficiente”, explica Barros.
 

Além da cotação e emissão de apólices, a plataforma centraliza documentação, gerencia endossos e cancelamentos, consolida indicadores operacionais e permite acompanhar toda a gestão das garantias em um único ambiente digital. Um dos diferenciais da tecnologia é a automação da leitura e organização de documentos, incluindo contratos e informações necessárias para a análise das operações.

Com essa funcionalidade, etapas que tradicionalmente dependiam de conferências manuais, revisões e troca de informações entre diferentes áreas passam a ser realizadas de forma mais ágil. A tecnologia auxilia na identificação e organização das informações relevantes, reduzindo o tempo de processamento e aumentando a eficiência da jornada até a emissão da apólice.

“A análise documental sempre foi uma etapa sensível do seguro garantia, porque envolve contratos, informações específicas de cada operação e diferentes critérios de avaliação. Ao automatizar essa etapa e organizar os dados dentro da plataforma, conseguimos reduzir atividades manuais, acelerar revisões e permitir que os profissionais se concentrem em decisões de maior valor estratégico”, destaca Barros.
 

Um dos principais desafios tecnológicos foi conectar seguradoras que trabalham com regras de aceitação, fluxos operacionais e sistemas distintos. Para isso, a Acoy desenvolveu uma arquitetura baseada em APIs capaz de integrar diferentes ambientes tecnológicos. Nos casos em que a seguradora ainda não possui essa estrutura, a empresa implementa fluxos específicos para manter a operação conectada enquanto a companhia evolui sua própria infraestrutura digital.

“A transformação digital no seguro garantia não está apenas em substituir processos manuais por uma ferramenta tecnológica. O grande avanço está na integração das informações. Quando todos os envolvidos conseguem trabalhar em um mesmo ambiente, com dados organizados e disponíveis em tempo real, reduzimos retrabalho, aumentamos a produtividade e melhoramos a experiência de todo o ecossistema”, destaca o executivo.
 

A evolução da tecnologia ocorreu de forma contínua. Quando a solução chegou ao mercado, em 2020, a emissão de uma apólice já podia ser concluída em cerca de cinco minutos. Com novas integrações, automações e aprimoramentos da arquitetura tecnológica, esse tempo foi reduzido para menos de um minuto.

Hoje, a Acoy conecta 39 seguradoras em um único ambiente, possui aproximadamente mil usuários ativos e processa cerca de 4 mil apólices por mês. A tecnologia atende desde operações de varejo, como depósitos recursais, até contratos estruturados de alto valor, oferecendo mais agilidade, controle e eficiência para toda a gestão do seguro garantia.
 

A evolução da Acoy acompanha um movimento mais amplo de transformação digital no setor segurador. Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), cerca de 80% das seguradoras brasileiras já utilizam inteligência artificial em alguma etapa de seus processos, e o setor projeta investimentos de aproximadamente R$ 2,6 bilhões em inteligência artificial até 2026.
 

Na visão de Barros, a próxima etapa dessa transformação será ampliar a automação e o uso inteligente dos dados. “O futuro do mercado segurador passa por operações cada vez mais conectadas, com análises mais rápidas, maior integração entre sistemas e decisões baseadas em dados. A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a ser um elemento estratégico para aumentar a competitividade das empresas”, afirma.

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