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Quando o risco de pequenas empresas sai do endereço segurado: lacunas em operações externas

Quando o risco de pequenas empresas sai do endereço segurado: lacunas em operações externas
Imagem: Reprodução/Insurance Thought Leadership

O endereço de uma empresa diz a um subscritor onde ela está sediada, mas diz cada vez menos sobre onde ela realmente faz negócios.

Vendedores de alimentos operam em mercados e eventos comunitários. Prestadores de serviços passam boa parte do tempo nas instalações de seus clientes. Na temporada de festas de fim de ano, festivais e eventos de varejo temporários costumam obrigar pequenas empresas a trabalhar longe de sua sede por períodos mais longos.

Para os subscritores, tratar um único endereço como valor fixo pode ocultar os diferentes tipos de exposição que surgem quando o negócio opera fora do estabelecimento. Esses riscos costumam incluir exposição de propriedade, responsabilidade civil de estabelecimento, responsabilidade civil por produtos e, no caso de empreiteiros, o risco de cuidado, custódia ou controle (CCC, na sigla em inglês).

A cobertura de propriedade pode mudar quando o negócio se desloca

Duas empresas com o mesmo nível de faturamento podem ter exposições de propriedade fora do estabelecimento bastante diferentes, dependendo do volume e da frequência com que seu estoque é transportado. Uma pode conduzir quase todo o negócio on-line e despachar os pedidos sempre do mesmo local. Outra pode seguir modelo semelhante durante a semana, mas passar os fins de semana vendendo diretamente aos clientes em outros lugares.

Muitos formulários de BOP (business owner’s policy, apólice multirrisco para pequenos negócios nos EUA) oferecem cobertura limitada para bens fora do estabelecimento, em geral como um sublimite fixo, e não como percentual do limite total de bens pessoais do negócio. Outros formulários podem prever limites ou condições diferentes, inclusive cobertura até o limite total desses bens.

Uma cobertura limitada fora do estabelecimento pode ser adequada para atividades ocasionais, como a de um varejista que participa de uma única feira de fim de ano. Já empresas com operações móveis regulares podem apresentar perfil de exposição diferente. Vendedores de alimentos, empreiteiros que transportam equipamentos e comerciantes que frequentam feiras com regularidade podem ter bens longe do local principal durante boa parte do ano.

Para esses negócios, aumentar o sublimite do BOP pode não bastar. Dependendo da operação, pode ser apropriada uma cobertura separada de inland marine (seguro de bens em trânsito e equipamentos móveis), como um transportation floater, cobertura de equipamentos relacionados ou um installation floater para empreiteiros.

Subscritores, agentes ou gestores de risco devem determinar quanta propriedade deixa o estabelecimento e se a exposição é rara o bastante para justificar uma extensão do BOP ou frequente o bastante para exigir uma cobertura à parte.

Responsabilidade de estabelecimento e de CCC representam exposições distintas

A responsabilidade civil de estabelecimento não aumenta da mesma forma que a exposição de propriedade, porque o seguro de responsabilidade civil geral normalmente não é específico de um local. O nível de exposição depende de fatores como o fluxo de pessoas e o tipo de local. Um vendedor em um grande festival pode ter mais exposição do que o mesmo vendedor operando diante de sua própria loja.

Os prestadores de serviços enfrentam um desafio específico na responsabilidade por cuidado, custódia e controle. As apólices de responsabilidade civil geral comercial costumam restringir a cobertura de danos a bens sob o cuidado, a custódia ou o controle do segurado. Empreiteiros que trabalham em propriedades de clientes podem precisar de um installation floater ou de um endosso específico de CCC, conforme o trabalho e a apólice.

Abordagens da exposição fora do estabelecimento que se concentram sobretudo em vendedores e estandes de eventos podem deixar de fora uma parcela significativa das empresas afetadas. Empreiteiros e outros prestadores de serviços podem passar grande parte do tempo de trabalho em propriedades de terceiros.

Além disso, atividades externas podem criar exigências de seguro antes mesmo de a empresa participar de um evento ou iniciar um trabalho para um cliente. Festivais, locais de eventos e contratos com clientes podem exigir comprovante de seguro ou a inclusão de terceiros como segurados adicionais.

Se a apólice admite a condição de segurado adicional de forma genérica ou exige um endosso individual, como o CG 20 26, isso pode se tornar uma questão de cobertura, e não apenas de obtenção de documentos.

O apetite da seguradora também pesa, além dos termos expressos na apólice. Uma seguradora pode não excluir expressamente certas exposições fora do estabelecimento ou de eventos especiais, mas pode enxergar de outra forma uma atividade regular e não declarada ao avaliar a conta na renovação. Manter atualizados os arquivos de subscrição é especialmente importante quando o trabalho externo ocasional passa a ser parte regular do negócio.

A responsabilidade por produtos pode cruzar fronteiras

O território de cobertura do seguro padrão de responsabilidade civil geral comercial (CGL, na sigla em inglês) costuma abranger os Estados Unidos, incluindo seus territórios e possessões, o Canadá e Porto Rico.

A responsabilidade por produtos pode oferecer cobertura para lesões envolvendo um produto fora desse território, em certas condições. Um produto fabricado ou vendido dentro do território de cobertura pode causar danos no exterior, mas a cobertura pode depender de onde o processo resultante for ajuizado. Uma empresa americana cujo produto cause lesão no exterior ainda pode ter cobertura se a ação for movida dentro do território especificado pela apólice.

Essa limitação jurisdicional cria outra possível lacuna quando uma empresa começa a operar internacionalmente. Expor em uma feira internacional, vender diretamente a mercados estrangeiros ou estabelecer presença física no exterior pode gerar exposições que vão além do que uma apólice CGL doméstica padrão costuma cobrir.

Empresas com essas operações podem precisar de uma apólice separada de responsabilidade civil para o exterior. Dependendo dos termos, essa cobertura pode ir além da responsabilidade por produtos e incluir responsabilidade de estabelecimento e operações, além de outras exposições que surjam fora do país.

Muitas vezes as empresas entram em mercados internacionais de forma gradual. Uma feira ocasional pode levar a eventos internacionais regulares, ou a empresa pode começar a vender em novos mercados sem enxergar a mudança como uma grande expansão. A exposição de seguro pode crescer junto com essas atividades.

A atividade fora do estabelecimento levanta uma questão de tarifação e de dados

Os códigos de classificação fornecem informações úteis sobre o que uma empresa faz, mas podem dizer menos sobre a frequência com que ela opera longe do local principal.

Isso levanta uma questão de tarifação para as seguradoras: a frequência de operações externas deveria se tornar uma variável separada, em vez de algo que os subscritores deduzem dos códigos de classificação?

Perguntas na contratação e na renovação podem ajudar os subscritores a distinguir empresas com atividade externa ocasional daquelas com exposição mais padrão. Os riscos podem estar ligados à frequência de eventos, ao percentual da receita proveniente de vendas fora do local, ao raio geográfico, a operações ou viagens ao exterior e à regularidade com que funcionários se deslocam a canteiros de obras ou locais de serviço.

As propostas digitais podem tornar essas perguntas mais direcionadas. Uma resposta afirmativa sobre operações fora do local pode acionar perguntas adicionais relevantes para aquele negócio, sem acrescentar etapas desnecessárias para quem opera exclusivamente de um único local.

O que isso significa na renovação

Os donos de negócios podem não sinalizar a atividade externa sazonal como uma mudança significativa, mas ela pode alterar o controle da propriedade ou a exposição de responsabilidade de maneiras que só aparecem quando o período anterior é revisado.

As seguradoras podem identificar essas mudanças padronizando algumas perguntas na renovação:

  • Com que frequência o negócio operou fora do estabelecimento durante a vigência e em quais locais?
  • A receita fora do estabelecimento ou a frequência de eventos aumentou desde a contratação da apólice?
  • No caso de empreiteiros, a exposição de CCC está contemplada ou presume-se que esteja dentro da apólice de responsabilidade civil geral?
  • O negócio realizou alguma operação fora do território de cobertura da apólice durante a vigência?
  • Há funcionários em número suficiente viajando regularmente a locais de trabalho ou eventos a ponto de afetar a classificação de seguro de acidentes de trabalho?

O crescimento nem sempre chega por meio de uma nova loja, de uma sede maior ou de outro local permanente. Pode ocorrer aos poucos, à medida que o negócio passa a gerar mais receita fora do estabelecimento.

Feiras de outono e eventos de fim de ano tornam esses padrões particularmente visíveis, mas revelam uma questão de subscrição que existe o ano todo. Entender onde uma pequena empresa opera, o que acontece ali e como seu padrão de operação muda ao longo do tempo pode dar às seguradoras um retrato mais fiel do que o endereço sozinho.

Escrito por Chris Van Leeuwen, vice-presidente de desenvolvimento profissional na Insurance Canopy.

Com informações de Insurance Thought Leadership.

Frotas e seguradoras têm dados de telemática, mas enfrentam dificuldades para transformá-los em ação

Frotas e seguradoras já têm acesso aos dados de telemática, mas enfrentam dificuldade para convertê-los em informações práticas que reduzam o risco.

A telemática deixou de ser uma venda difícil para as frotas. De acordo com novos dados da SambaSafety, 46% das frotas usam telemática há pelo menos seis anos, tempo suficiente para que a discussão deixe de ser se devem adotá-la e passe a ser como agir sobre tudo o que ela coleta.

A quarta edição anual do relatório de telemática da SambaSafety, baseada em respostas de 740 frotas, seguradoras e corretores, indica que 53% das frotas têm dificuldade para interpretar ou agir sobre seus dados de telemática. Esse obstáculo agora aparece à frente da resistência dos motoristas e das preocupações com privacidade, as duas objeções que o setor de transporte passou anos tentando superar.

Do outro lado da mesa, as seguradoras vivem seus próprios avanços e desafios. Em 2025, os dados mostravam que 48% delas apontavam como um dos principais desafios convencer grandes frotas a compartilhar seus dados de telemática. Em 2026, essa preocupação caiu rapidamente, para 24%. Com o acesso em boa parte resolvido, o trabalho mais difícil passou para a etapa seguinte: o que fazer com os dados depois de obtê-los.

As seguradoras enfrentam a mesma questão das frotas: como transformar os dados de telemática em algo de valor, tanto para suas próprias operações quanto para os segurados. No relatório da SambaSafety, essa dificuldade é hoje o principal desafio para usar a telemática em suas operações.

Os dois resultados formam um quadro claro: frotas com dados que não conseguem aproveitar plenamente e seguradoras com acesso a dados que não são plenamente explorados. Nenhuma está atrás na curva de adoção da telemática, mas ambas têm dificuldade em transformar dados brutos em informação acionável que reduza o risco.

Os dois lados do problema dos dados de telemática

Entre as frotas de seguro auto comercial, é comum recorrer a vários provedores de serviços de telemática. Cada um define os eventos de maneira diferente, pontua os motoristas segundo sua própria lógica e entrega os dados em formato próprio. O resultado são várias visões parciais do risco dos motoristas, espalhadas por painéis distintos, e cabe à frota o trabalho de conciliá-las.

Esse é exatamente o desafio que as frotas vivem, e muitas planejam reduzir esse atrito nos próximos 12 meses. Entre as frotas entrevistadas, 29% citam como prioridade melhorar a capacidade de interpretar os dados de telemática, e 27% querem aprimorar a capacidade de agir sobre eles.

As seguradoras, outro agente do ecossistema de auto comercial, também enxergam valor nos dados de telemática. O controle de perdas é um dos principais usos, citado por 63% delas, ao lado da segmentação de risco e de aplicações em sinistros. O que falta é a ligação entre ter acesso aos dados e construir, a partir deles, um programa que os segurados possam usar.

“Durante anos, o setor de seguros se concentrou em obter acesso aos dados de telemática. Foi um primeiro passo importante, mas o acesso, por si só, não melhora os resultados de segurança”, afirmou John Barbagallo, consultor estratégico da SambaSafety. “A próxima etapa de maturidade da telemática é ajudar frotas e seguradoras a agir sobre o que os dados mostram. Seja o objetivo um melhor controle de perdas ou decisões de subscrição mais sólidas, só se cria valor quando os dados são compreendidos e colocados em prática.”

Não faltam usos da telemática para as seguradoras. Em média, elas aplicam os dados em 2,5 funções distintas, como subscrição ou regulação de sinistros, o que faz do seu maior desafio menos obter acesso aos dados e mais gerar valor para os segurados.

Aplicar a telemática para gerar valor concreto

Seguradoras e frotas enfrentam problemas parecidos, por ângulos diferentes, mas não partem do mesmo ponto. As seguradoras dispõem de infraestrutura mais robusta, com programas de controle de perdas e experiência em subscrição e sinistros, enquanto as frotas têm enormes volumes de dados brutos que são difíceis de transformar em ação.

A oportunidade surge quando as seguradoras direcionam essa infraestrutura para as lacunas descritas pelas frotas, em especial na interpretação e no treinamento, para tornar a telemática significativa para ambas as partes.

As decisões sobre treinamento de motoristas podem ser um ponto de partida. Os eventos de telemática podem alertar os gestores de segurança das frotas para excesso de velocidade, frenagens bruscas ou alertas de distração, mas os dados do relatório sugerem que apenas 26% usam essa informação para decidir quem deve ser treinado e em quê. A maioria das frotas oferece treinamento de forma genérica, em vez de direcioná-lo aos motoristas que representam risco na estrada. E o retorno de ligar a telemática ao treinamento é algo que as frotas não escondem.

As frotas que combinam telemática com treinamento estruturado de motoristas relatam menos acidentes ou sinistros em 78% dos casos, o maior índice em três anos, e 89% afirmam que a segurança geral melhorou como resultado. Por ser uma solução específica, porém simples, o relatório sugere que seguradoras e corretores podem estar bem posicionados para ajudar a conectar os dados a decisões de controle de perdas ou de treinamento.

Os corretores mostram como esse espaço ainda está em boa parte desocupado. Segundo o relatório, 68% dos corretores que usam dados de telemática o fazem para consultoria de controle de perdas, ante 45% anteriormente. Em um recorte mais detalhado, o uso se concentra nos corretores nacionais e globais, que oferecem esse tipo de orientação em 82% dos casos, contra 55% entre os corretores estaduais e regionais.

A diferença não está na falta de acesso aos mesmos dados, mas em saber se eles foram transformados em algo que o cliente consiga colocar em prática, um problema de conversão que todos os corretores podem enfrentar.

Tanto seguradoras quanto corretores que já têm programas de controle de perdas podem agregar valor à relação com as frotas usando os dados de telemática. Converter eventos de telemática em treinamento focado pode trazer um retorno sobre o investimento (ROI) mensurável, que as frotas tendem a apoiar, fechando de fato o ciclo dos dados que já possuem.

O argumento de negócio além da maturidade da telemática

Na telemática, a próxima fase não dependerá apenas de coletar mais informações. Seguradoras e corretores têm agora uma forma direta de explicar os benefícios dos dados e como eles embasam decisões sobre treinamento, controle de perdas, subscrição ou gestão de riscos.

À medida que a adoção da telemática atinge a maturidade no seguro auto comercial, as organizações que criarão mais valor talvez não sejam as que coletam mais dados, mas as mais capazes de traduzir os insights da telemática em melhorias de segurança e de resultados de seguro.

Escrito por Arissa Dimond, redatora-chefe de seguros na SambaSafety.

Com informações de Insurance Thought Leadership.

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Vinci vende a seguradora Austral para a americana Liberty Mutual

Vinci vende a seguradora Austral para a americana Liberty Mutual
Imagem: Reprodução/Pipeline Valor

A seguradora americana Liberty Mutual fechou um acordo para comprar a Austral Seguradora, uma das cinco maiores empresas de seguro garantia do Brasil. O valor da transação não foi divulgado.

A Vinci Compass, controladora da Austral, vinha buscando uma saída do investimento há alguns anos. A holding detém ainda a Austral Re, de resseguros, que segue com a gestora de private equity.

Fundada em 2010 e com sede no Rio de Janeiro, a Austral atua também em seguros de riscos financeiros e responsabilidade civil. A Liberty manterá a carteira de clientes e os relacionamentos com corretores, além de incorporar os cerca de 100 funcionários da Austral.

Com a aquisição, a Liberty Mutual passará a figurar entre as maiores seguradoras de seguro garantia do país. “A aquisição da Austral reforça nosso compromisso de estar entre os principais fornecedores de garantias no Brasil”, afirmou Nate Zangerle, presidente global de seguro garantia da Liberty Mutual, em comunicado.

Segundo a companhia, o negócio faz parte da estratégia de expansão na América Latina. A Austral continuará sob a liderança de Carlos Frederico Ferreira até a conclusão da transação. O comunicado não informa como ficará a gestão após o fechamento.

A Liberty Mutual tem mais de 40 mil funcionários em 27 países e receita consolidada anual superior a US$ 50 bilhões. A Seneca Evercore e o Mattos Filho assessoraram a Austral na operação, e o Pinheiro Neto assessorou a Liberty.

Com informações de Pipeline Valor.

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FWD planeja comprar 25% da Bolttech Insurance (Hong Kong) por US$ 20,72 milhões

A FWD anunciou planos de adquirir 25% da Bolttech Insurance (Hong Kong) por um valor-base de US$ 20,72 milhões (HK$ 161,62 milhões), sujeito a ajuste no fechamento da operação.

A Bolttech Insurance (Hong Kong) é atualmente uma subsidiária integral da Bolttech Discovery Holdings, que pertence, em última instância, à bolttech Holdings. Seu principal negócio é a subscrição de seguros gerais (ramos elementares) em Hong Kong e a partir de Hong Kong.

Richard Li Tzar-kai, diretor executivo e acionista controlador da FWD, é considerado como tendo interesse relevante na transação, porque detém indiretamente 30% ou mais das ações emitidas da bolttech Holdings. Por isso, ele se absteve de votar nas deliberações do conselho que aprovaram a operação.

Em comunicado à bolsa, a FWD afirmou que o negócio lhe dá a oportunidade de adquirir uma participação minoritária, sem controle, em uma empresa que opera um negócio consolidado de seguros gerais em Hong Kong e com a qual mantém um relacionamento comercial de longa data.

A seguradora acrescentou que a medida ajudará a fortalecer ainda mais a parceria existente entre as partes em seguro de saúde coletivo e a ampliar a cooperação em produtos de seguros gerais para pessoas físicas, inclusive por meio de melhorias na oferta de produtos, na distribuição e no atendimento ao cliente.

Com informações de Insurtech Insights.

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Kavak escolhe o Brasil para estrear sua oferta própria de seguros

Kavak escolhe o Brasil para estrear sua oferta própria de seguros
Imagem: Reprodução/NeoFeed

Plataforma mexicana de seminovos escolheu o mercado brasileiro para lançar a Kavak Seguros, integrada à jornada de compra do carro

A Kavak, plataforma mexicana de compra e venda de carros seminovos, escolheu o Brasil como ponto de partida para sua entrada em seguros. A empresa lançou a Kavak Seguros, com coberturas como assistência técnica 24 horas, colisão, roubo, furto e incêndio, segundo reportagem do NeoFeed.

Até agora, a Kavak oferecia seguros por meio de parceiros. Com o lançamento, o portfólio próprio passa a ser a única opção disponível na plataforma, totalmente integrado ao processo de compra do veículo.

Parceria white label e piloto em Barueri

O produto foi estruturado em menos de 60 dias, por meio de uma parceria white label com a Split Risk. A insurtech responde pela infraestrutura, pelo atendimento e pela assistência 24 horas da operação.

O piloto começou em agosto, na loja da Kavak em Barueri (SP), e agora chega às outras duas unidades da empresa em São Paulo. De início, os seguros serão vendidos apenas para clientes da própria rede, mas a companhia não descarta oferecer o produto ao mercado aberto no médio prazo.

O country manager da Kavak no Brasil, José Ribeiro, não divulgou o volume de apólices contratadas nos testes. Ao NeoFeed, disse que a adesão ficou bem acima da média do mercado. Pelas contas da empresa, a penetração de seguros em seminovos é de 30% a 40% menor do que em carros zero quilômetro.

Contratação simplificada

A oferta parte de planos de entrada, com coberturas para perda total ou roubo, e permite incluir outras proteções conforme a necessidade do cliente. Para contratar, bastam o modelo e o ano do carro, o CEP do motorista e o uso principal do veículo. Não há análise de score de crédito nem de histórico do condutor.

“No trabalho com a Split, percebemos que esse dado não agregava maior segurança e, sim, mais complexidade, além de não contribuir no preço”, afirmou Ribeiro ao NeoFeed. A vistoria também é dispensada, já que os carros do estoque passam por recondicionamento e inspeção da própria Kavak. Segundo a empresa, a apólice pode ser contratada em minutos.

Para o executivo, o seguro completa a proposta de ecossistema da companhia. “Estamos construindo um ecossistema com o carro e o cliente no centro”, disse. “E seguros é a cereja desse bolo.”

Expansão no país

A novidade vem depois de um aporte de US$ 300 milhões em fevereiro, coliderado pela WCM Investment Management e pela Andreessen Horowitz. Desde a fundação, em 2016, a Kavak captou mais de US$ 1,8 bilhão. Em 2025, a empresa somou cerca de 120 mil transações no mundo, alta de 40% sobre 2024.

No Brasil, a operação tem cerca de 400 profissionais e um estoque de mais de 1,4 mil veículos. Além de seguros, o portfólio inclui financiamento, documentação, garantias, manutenção e crédito com o carro como garantia. A Kavak prevê abrir mais duas lojas em São Paulo até o fim do ano.

Com informações do NeoFeed: neofeed.com.br/startups/kavak-escolhe-o-brasil-para-dar-a-partida-em-sua-oferta-de-seguros

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Mercado Pago e Chubb lançam Seguro de Comércio para pequenos negócios no México

Mercado Pago e Chubb lançam Seguro de Comércio para pequenos negócios no México
Imagem: Reprodução/Mercado Libre News

O Mercado Pago lançou o Seguro de Comércio, solução desenvolvida para proteger o patrimônio e as ferramentas de trabalho de empreendedores e pequenos negócios no México, em parceria com a Chubb como seguradora. O lançamento oferece proteção simples, acessível e digital a esse segmento. A necessidade é significativa: 83% das PMEs (pequenas e médias empresas) não têm seguro, de acordo com a Associação Mexicana de Instituições de Seguros (AMIS).

Disponível a partir de 55 pesos mensais, o Seguro de Comércio é contratado de forma digital, por meio do Mago, o assistente pessoal com inteligência artificial do Mercado Pago, sem inspeção prévia nem processos longos. A proteção começa no primeiro dia e inclui coberturas para roubo, incêndio, danos a equipamentos eletrônicos, quebra de vidros, responsabilidade civil e roubo de ferramentas ou mercadorias na via pública.

O produto incorpora ainda assistências para checagens preventivas nas instalações de água, gás e eletricidade, atendimento de emergências de encanamento, eletricidade e chaveiro 24 horas por dia, 7 dias por semana, além de orientação contábil e tributária para trâmites administrativos.

“A proteção também é uma parte fundamental da saúde financeira de um negócio. Queremos reduzir as barreiras que historicamente limitaram o acesso dos pequenos comércios aos seguros, com uma experiência digital, simples e acessível, que responda aos riscos que enfrentam todos os dias. Assim como acompanhamos os empreendedores e as pymes para cobrar, administrar e fazer crescer seus negócios, queremos acompanhá-los também para protegê-los”, afirmou Alessandro Labelli, diretor de Seguros do Mercado Pago México.

A solução amplia a relação que o Mercado Pago mantém com os pequenos negócios no México. De acordo com o Efecto MELI, ao longo de 2025 mais de 950 mil empresas e empreendedores usaram o Mercado Pago para processar seus recebimentos e, para 85% deles, foi a principal ferramenta de cobrança. Agora, a companhia busca acompanhá-los na proteção do patrimônio, reduzindo barreiras como o custo e a complexidade dos processos de contratação.

Cada negócio pode estar exposto a riscos diferentes, conforme a forma de operar. Um comércio de rua pode estar exposto a roubo com violência, incêndio ou danos a equipamentos eletrônicos. Os vendedores ambulantes e quem transporta mercadorias podem enfrentar roubo ou dano de suas ferramentas e produtos. Para quem empreende em casa ou por meio do comércio eletrônico, alguns riscos são o incêndio ou o roubo de mercadorias no domicílio; para prestadores de serviços e contratistas, os riscos podem estar relacionados às suas ferramentas de trabalho e à responsabilidade civil.

“O Mercado Livre cuida da experiência do vendedor. A Chubb cuida de todo o resto: cotação, subscrição, cobrança, faturamento e gestão de sinistros. Esta parceria não é um seguro vendido em uma plataforma. É proteção integrada no mesmo lugar onde o vendedor vende, cobra e desenvolve seu negócio. Estamos comprometidos em seguir construindo juntos em benefício das pymes mexicanas”, afirmou Alejandra Magaña, diretora-executiva digital da Chubb México.

Com o Seguro de Comércio, o Mercado Pago amplia as soluções disponíveis em seu ecossistema para acompanhar empreendedores e pymes nas diversas dimensões de sua vida financeira. A oferta complementa as ferramentas para cobrar, administrar e fazer crescer a atividade, incorporando também alternativas para proteger o patrimônio diante de imprevistos.

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Longevidade e mudança geracional transformam o negócio de seguros de vida

Longevidade e mudança geracional transformam o negócio de seguros de vida
Imagem: Reprodução/Forbes Argentina

Durante décadas, a vida podia ser imaginada como uma sucessão previsível de etapas: estudar, conseguir um emprego, casar, ter filhos, comprar uma casa, consolidar uma carreira e, por fim, se aposentar. Esse roteiro também ajudou a construir boa parte da indústria financeira e seguradora. Cada momento tinha seus produtos, suas necessidades e seus riscos. Mas esse mapa está mudando.

Há quem priorize experiências antes do patrimônio, quem mude várias vezes de profissão, quem forme uma família depois dos 35 e quem, depois dos 50, continue trabalhando, consumindo e projetando novos objetivos. A transformação geracional e o aumento da longevidade estão criando novos consumidores e, com eles, novos mercados.

“No seguro de vida, precisamos evoluir de um produto voltado a eventos futuros e intangíveis, com pouca flexibilidade, para uma solução de uso contínuo no dia a dia, com benefícios tangíveis, relevantes e flexíveis”, explicou Gustavo Leança, diretor de Seguros da Capgemini Brasil e professor da escola de negócios e seguros, durante o 19º Seminário Internacional de Seguros de Vida e Previdência.

Chegar aos menores de 40 anos

O desafio aparece especialmente entre os consumidores mais jovens. Segundo estudo da Capgemini apresentado por Leança, 68% das pessoas consideram contratar um seguro de vida para se preparar para o futuro. A pergunta para a indústria é como transformar essa intenção em uma proposta relevante para as novas gerações. Entre os menores de 40 anos, 32% consideram que o seguro de vida não se ajusta à sua etapa de vida; 28% acham que os prêmios são caros demais e 25% apontam a falta de um benefício imediato.

Os dados ajudam a explicar por que alguns dos acontecimentos que durante anos impulsionaram a contratação de seguros já não aparecem nas mesmas idades nem com a mesma previsibilidade. Entre os jovens pesquisados, 63% não têm planos imediatos de casar e 84% também não pretendem ter o primeiro filho em breve.

“Hoje as pessoas têm à disposição uma variedade de investimentos maior do que tinham em outros anos. Os seguros de vida já não competem apenas com outros seguros de vida”, explicou Leança. “As necessidades mudaram, a capacidade das pessoas de tomar decisões também mudou, e a forma como elas buscam dados e informações também mudou”, acrescentou.

Que benefícios em vida os jovens desejam? Entre os menores de 40 anos, 48% querem resgates em dinheiro para eventos da vida; 41% buscam benefícios de saúde e bem-estar e 39% priorizam coberturas para doenças terminais e cuidados de longo prazo. O novo consumidor também quer saber que benefício obtém hoje.

Nos seguros coletivos ocorre algo semelhante. Entre os jovens, 82% buscam proteção contra doenças graves e cuidados de longo prazo, 59% querem uma relação mais direta com as empresas e 44% mencionam coberturas para dispositivos como notebooks, em linha com trajetórias profissionais mais móveis.

“É preciso tentar apresentar o seguro de vida como uma ferramenta de planejamento financeiro, o seguro para o dia a dia. Passar do seguro de vida para os seguros em vida. É preciso estar no dia a dia do cliente”, indicou Leança.

Também muda o lugar onde o consumidor está: 62% dos norte-americanos afirmam usar redes sociais ao buscar informações sobre produtos financeiros ou seguros. No Brasil, por exemplo, uma seguradora já lançou um programa de “Produtor Influenciador” para aproximar corretores das redes sociais e dos novos públicos.

“Seguradoras e corretores assessores devem se aproximar das redes sociais para alcançar os novos públicos. É importante desenvolver plataformas digitais e híbridas, que combinem tecnologia e atendimento pessoal”, enfatizou o executivo.

A vida que não termina aos 60

A Geração Silver também questiona o modelo tradicional sobre o qual foram construídos muitos produtos e serviços. O aumento da expectativa de vida não significa simplesmente mais anos depois da aposentadoria: implica mais anos de consumo, trabalho, aprendizado, decisões financeiras e projetos pessoais.

“Aos 50+, já não nos representam os rótulos de passividade, vulnerabilidade e dependência”, afirmou Liliana Parodi, diretora de mídia, palestrante e referência da Geração Silver. Para Parodi, as pessoas com mais de 50 anos formam um segmento com energia, capacidade de consumo, experiência e, em muitos casos, recursos acumulados. “Os 50+ são um grupo interessante. Primeiro, porque ainda temos muita energia e não temos interesse em nos aposentar. Segundo, porque acumulamos dinheiro, mas sobretudo muita experiência. Somos uma oportunidade que muito poucas empresas aproveitam”, disse.

Parodi apresentou um “novo mapa da vida”, tomando como referência os trabalhos do Centro de Longevidade da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, para falar de longevidade saudável, reinvenção profissional, talento sênior, aprendizado permanente e vínculos entre gerações.

Ela também propôs uma mudança de narrativa sobre as pessoas com mais de 50 ou 60 anos, que durante anos foi associada principalmente à vulnerabilidade, à passividade, à incapacidade, à dependência ou à aposentadoria. Mas uma vida mais longa modifica essas categorias. “São rótulos que já não nos representam. Somos uma geração ativa, vital e em movimento”, disse. Em seguida, afirmou que “a Geração Silver é um motor de consumo”.

Como financiar uma vida que se estende por mais anos

O analista econômico Damián Di Pace também apresentou ideias para que os seguros de pessoas ganhem terreno atualmente. Em sua avaliação, o setor tem argumentos para se diferenciar de outras alternativas de poupança e investimento.

“O seguro pode ganhar se mostrar suas vantagens e diferenças em relação, por exemplo, aos fundos de investimento. O seguro de vida oferece proteção imediata e garante disciplina nos aportes mensais (80% do fracasso da poupança argentina não é a taxa, é deixar de aportar), tem benefícios, não herdeiros, oferece benefícios fiscais e garante a continuidade das pequenas e médias empresas”, afirmou Di Pace.

Nessa linha, Di Pace apontou que a confiança pode ser um fator mais determinante para gerar vendas do que a promessa de determinada taxa. “Quem tem o dado tem a venda, tem o seguro e tem a capitalização. Esse dado pode ser conquistado com confiança”, ressaltou.

Em sintonia com Leança, Di Pace destacou a mudança de enfoque pela qual passa o setor. “Está mudando o discurso de ‘proteção da família’ para o discurso de ‘autonomia financeira + benefícios em vida'”.

Com informações de Forbes Argentina.

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IA precisa de um mercado de seguros próprio? Corretores já lidam com a questão

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Imagem: Reprodução/Insurance Business

A inteligência artificial já atravessa as linhas de cyber, responsabilidade profissional, D&O (responsabilidade de administradores e diretores) e crime, mas os corretores recebem cada vez mais uma pergunta mais fundamental: a tecnologia acabará precisando de um mercado de seguros só seu?

Uma enquete da Insurance Business no LinkedIn indica que muitos esperam ao menos alguma separação. Metade dos respondentes disse que o seguro específico para IA acabará se tornando uma linha comercial relevante, enquanto 22% esperam que isso aconteça rapidamente. Outros 14% afirmaram que o risco de IA continuará sendo tratado, em sua maior parte, pelas linhas já existentes.

Produtos exclusivos para IA já existem

O mercado já testa as duas abordagens.

A Armilla AI, coverholder (emissora de apólices com autorização delegada) do Lloyd’s, lançou em abril de 2025 uma apólice autônoma de responsabilidade por IA com cobertura afirmativa e, em janeiro de 2026, elevou os limites disponíveis para US$ 25 milhões. A cobertura é voltada a empresas que desenvolvem ou utilizam IA e pode responder a erros de modelo, resultados imprecisos e ações de agentes de IA.

Em fevereiro, Armilla e Chaucer lançaram o Vanguard AI, que combina as coberturas de cyber e de E&O (erros e omissões) de tecnologia da Chaucer com a apólice autônoma de responsabilidade por IA da Armilla. Regras de alocação predefinidas buscam esclarecer qual apólice responde quando um sinistro envolve ao mesmo tempo um evento cibernético, uma falha de tecnologia e o comportamento da IA.

A Munich Re também subscreve riscos específicos de IA por meio do aiSure, um conjunto de coberturas para responsabilidades contratuais, perdas financeiras e responsabilidades legais decorrentes de erros de desempenho da IA. Em fevereiro, a Mosaic Insurance firmou parceria com a Munich Re para oferecer o aiSure, com capacidade inicial de até US$ 15 milhões, para falhas de desempenho de IA definidas.

Outras seguradoras preferem manter a IA mais próxima das linhas tradicionais. A HSB, que integra o grupo Munich Re, lançou em março o AI Liability Insurance para pequenas e médias empresas, que cobre determinados pedidos de indenização por lesão corporal, danos materiais e danos à publicidade (advertising injury) decorrentes do uso de IA. A cobertura foi concebida para ser adicionada às apólices empresariais das seguradoras parceiras, e não vendida diretamente como apólice separada.

A natureza de “colcha de retalhos” do mercado foi apontada por Jennifer Wilson, da WTW, como fonte de ambiguidade para corretores, tanto no varejo quanto no atacado da cadeia. “O seguro ainda não alcançou o risco de IA”, disse Wilson. “Hoje, dependemos da cobertura silenciosa de IA nas apólices de cibersegurança e de tecnologia.”

Keith Savino, CEO nos EUA da seguradora de cyber Emergence, afirmou que a distinção começa por saber se a seguradora está de fato segurando a IA como um risco separado ou apenas permitindo que perdas provocadas por IA recaiam sobre uma apólice existente.

“Há uma diferença entre dizer ‘estou segurando IA’ e dizer ‘somos uma seguradora de cyber e não estamos excluindo a IA’ ou ‘somos uma seguradora de cyber e reconhecemos que a IA faz parte do risco que assumimos'”, disse Savino à Insurance Business.

“Acho que há seguradoras lançando exclusões porque seus formulários atuais provavelmente oferecem uma cobertura que elas nunca pretenderam oferecer. Por isso, elas não querem que um sinistro seja decidido na Justiça e que um juiz entenda haver cobertura onde nunca se pretendeu ter.”

Corretores diante da exposição silenciosa à IA

Isso obriga os corretores a identificar o que é cobertura afirmativa, o que é silencioso e o que foi expressamente excluído.

Comentando a enquete no LinkedIn, Evaa Saiwal, head de seguros de responsabilidade da Policybazaar For Business, disse: “Não vejo a IA se tornando uma linha comercial totalmente independente de forma generalizada. É menos um risco novo e único e mais uma nova causa de perda que atravessa as linhas existentes.”

Ela citou a responsabilidade profissional e E&O (PI/E&O) para resultados incorretos, exposições de privacidade e propriedade intelectual, perdas cibernéticas ou financeiras causadas por agentes autônomos e questões de D&O ligadas a governança e divulgação. Apólices independentes tendem a surgir onde a IA gera perdas fora dos gatilhos tradicionais, como deriva de modelo (model drift), alucinação, desempenho abaixo do esperado ou ações autônomas que causem prejuízo econômico sem violação cibernética ou negligência convencional.

Já Savino acredita que as posições das seguradoras devem continuar mudando à medida que o mercado aprende mais sobre essas exposições. “Isso ainda não está resolvido”, disse. “Volte daqui a três meses e veja se a resposta mudou.”

Líder de seguros da Anthropic mostra como criar agentes de IA em que uma seguradora possa confiar

Líder de seguros da Anthropic mostra como criar agentes de IA em que uma seguradora possa confiar
Imagem: Reprodução/100% SEGURO

Em uma masterclass, Tom Deaney, líder de IA aplicada a Seguros da Anthropic, dona do Claude, mostrou como construir e avaliar um agente de inteligência artificial para a regulação de sinistros, segundo reportagem do 100% SEGURO. Além da tecnologia, o foco esteve em uma questão central para as seguradoras: como gerar a confiança necessária para levar esses sistemas à produção.

A inteligência artificial já está sendo incorporada a diversos processos do setor segurador, mas passar de uma prova de conceito a um agente capaz de atuar em operações reais traz um desafio diferente. Na regulação de sinistros, onde cada caso pode envolver múltiplos documentos, regras, fontes de informação e decisões sensíveis, demonstrar que um sistema funciona em alguns exemplos não basta.

Esse foi um dos principais eixos da masterclass “Claims Agent Masterclass: How to Build an Agent You’d Trust with a Claim”, apresentada na ITC Vegas 2026 por Tom Deaney, líder de IA aplicada para Seguros da Anthropic.

Com oito anos de experiência em insurtech e seis dedicados ao desenvolvimento e à implementação de IA empresarial aplicada a seguros, Deaney trabalhou durante a sessão sobre um caso concreto: a construção de um agente capaz de auxiliar na gestão de um sinistro. Ele mostrou, passo a passo, de que informações o agente precisa, quais ferramentas pode utilizar, em que ponto uma pessoa deve intervir e como avaliar se ele de fato está funcionando.

A conclusão que atravessa toda a apresentação é que construir um agente pode ser relativamente simples, mas construir um em que uma seguradora possa confiar exige muito mais trabalho.

Um agente não é apenas um modelo de IA

Deaney explicou que um agente combina um modelo de linguagem com ferramentas que lhe permitem consultar informações, executar determinadas ações e tomar decisões dentro de certos limites. Mas, especialmente em um setor regulado, a arquitetura e os controles em torno do modelo são tão importantes quanto sua capacidade de raciocínio.

Uma das primeiras distinções que ele apresentou foi entre o “cérebro” e as “mãos” do agente. Enquanto o modelo se encarrega de interpretar o contexto e decidir o que precisa fazer, as ferramentas executam as ações concretas. Essa separação permite limitar o acesso do modelo a informações sensíveis e reduzir riscos como a exposição de credenciais ou certas formas de manipulação por meio dos documentos recebidos. Também permite manter um registro do que ocorreu.

“A rastreabilidade é fundamental em um ambiente regulado: deve ser possível reconstituir que decisão o agente tomou, quais ferramentas utilizou e que informações participaram do processo”, afirmou Deaney.

Mas o desafio não termina em desenhar essa arquitetura. O verdadeiro problema surge quando é preciso responder a uma pergunta muito mais simples: como saber que o agente realmente funciona?

Um caso correto não basta

Um dos conceitos sobre os quais o especialista mais insistiu foram as avaliações (evals). O fato de um agente ter processado corretamente um sinistro não demonstra que ele consiga fazê-lo de maneira consistente.

“One claim isn’t anecdote” (“um sinistro não é uma anedota”), disse durante a demonstração. Ou seja, um único caso correto não constitui evidência suficiente. Até dois acertos podem ser fruto do acaso. A confiança começa a ser construída quando o agente é submetido a um conjunto representativo de casos em que especialistas da companhia já definiram o que deveria ocorrer.

Esse conjunto pode incluir o número do sinistro, os documentos de entrada, os resultados esperados, os desvios que deveriam ser feitos, níveis de investigação, tolerâncias de reserva e outros critérios específicos de cada processo.

Assim, os evals se tornam uma espécie de bancada de testes permanente. Cada alteração no modelo, nas instruções, nas ferramentas ou no conhecimento incorporado ao agente pode ser reavaliada sobre esse conjunto para verificar se realmente representa uma melhora. Para Deaney, essa capacidade de avaliação deveria começar a ser construída o quanto antes.

“A única maneira de ter confiança nos agentes de IA é submetê-los a avaliações”, afirmou.

Os métodos de avaliação podem variar conforme a tarefa. Alguns resultados admitem uma verificação direta de aprovação ou reprovação; outros exigem checar se o agente usou as ferramentas adequadas ou seguiu a estrutura esperada. Em casos mais complexos, pode ser necessário até avaliar a resposta gerada frente a um resultado esperado usando outro modelo como instância avaliadora. Mas o princípio é o mesmo: definir previamente o que significa fazer bem uma tarefa e medir o agente contra esse padrão.

Dos SOPs ao conhecimento operacional

O passo seguinte é dar ao agente o conhecimento necessário para trabalhar. Em uma seguradora, boa parte desse conhecimento já existe: manuais de sinistros, procedimentos internos, critérios de escalonamento e documentação usada pelas equipes.

Deaney propõe transformar esses SOPs (Standard Operating Procedures, ou procedimentos operacionais padrão) em skills: unidades de conhecimento operacional que podem ser incorporadas ao agente, atualizadas e reutilizadas.

“Deve-se começar pelos SOPs e construir a partir daí”, resumiu durante a sessão, de caráter técnico e com a sala lotada.

No entanto, advertiu, a documentação interna não necessariamente contém todas as respostas. Ela pode estar incompleta, desatualizada ou cobrir apenas parte das situações que aparecem na operação cotidiana.

É aí que os evals voltam a entrar em jogo. Se os testes mostram que o agente falha reiteradamente diante de determinados cenários, esses casos permitem identificar que conhecimento falta e ajustar o sistema. O processo, portanto, deixa de ser linear: a documentação alimenta o agente, os casos de avaliação revelam seus pontos fracos, e esses resultados permitem modificar o agente novamente.

A IA pode decidir partes do processo, mas não necessariamente o resultado final

Outro ponto central da apresentação foi o lugar que a IA deve ocupar dentro de uma arquitetura seguradora. Deaney afirmou que, em processos regulados, não necessariamente convém entregar ao agente a decisão final de aprovar ou negar um sinistro. Em vez disso, ele pode ser usado para resolver tarefas específicas: analisar evidências, identificar determinados riscos, verificar informações ou gerar um indicador que depois seja processado pelas regras do sistema.

“A ideia é manter um núcleo determinístico que governe as decisões críticas, enquanto o agente contribui com capacidade de análise em tarefas concretas. Por exemplo, um agente pode produzir um determinado indicador de risco e o sistema de gestão de sinistros pode estabelecer que, a partir de certo limite, o caso deve ser encaminhado a uma instância específica”, exemplificou.

Deaney explicou que esse esquema permite manter uma lógica previsível: “Se a condição se apresenta, o resultado é conhecido”. Ou seja, diante de determinada condição, o sistema sabe qual será o resultado. Essa separação também reduz o impacto que uma instrução maliciosa embutida em um arquivo ou documento analisado pelo agente poderia ter.

Antes da produção: testar, comparar e supervisionar

O especialista apresentou um percurso progressivo para levar um agente dos testes à operação real. O primeiro passo é construir e validar os casos de avaliação. Para isso, destacou a necessidade de trabalhar com especialistas que possam definir o que significa um resultado correto e incorporar tanto os casos habituais quanto os cenários-limite.

A partir daí surge o chamado holdout set, um conjunto de casos mantido separado do processo de melhoria para verificar se o agente consegue responder corretamente a situações que não utilizou durante seu treinamento e ajuste. Depois vem o shadow mode, etapa em que o agente processa informações reais em paralelo com o regulador (ajustador), mas ainda não toma a decisão. Seu resultado pode ser comparado com o que o profissional fez diante do mesmo caso.

Essa comparação também pode servir para descobrir novos cenários que deveriam ser incorporados às avaliações.

“Uma discrepância não implica necessariamente que o agente esteja errado: pode revelar um caso que não estava contemplado ou até a necessidade de rever o critério usado pela equipe humana”, esclareceu aos presentes.

O degrau seguinte é o draft: o agente passa a gerar uma primeira versão de uma resposta, recomendação ou decisão, mas o regulador continua responsável por aprová-la.

Somente depois de passar por essas etapas, e mantendo mecanismos de supervisão, exceções, níveis de confiança e, eventualmente, amostragens sobre os casos processados, o agente pode assumir determinadas tarefas em produção.

A progressão responde a uma ideia central de Deaney: não se trata de passar de uma demonstração diretamente para a produção, mas de aumentar gradualmente o nível de responsabilidade atribuído ao agente à medida que há evidências sobre seu desempenho.

O caso de uma seguradora: 12 semanas de trabalho

Para mostrar como essa abordagem se traduz em um projeto real, Deaney apresentou o caso de uma seguradora que trabalhou por aproximadamente 12 semanas em um agente aplicado a decisões complexas de cobertura.

O projeto começou com o levantamento dos procedimentos existentes e a identificação das ferramentas internas necessárias para realizar as verificações correspondentes.

Em seguida, foram construídos cerca de 300 casos de avaliação a partir de sinistros reais anteriores. O trabalho com especialistas permitiu identificar casos-limite e situações que não estavam suficientemente contempladas na documentação inicial.

Essa interação gerou milhares de comentários e devolutivas que serviram para ajustar o agente e ampliar o conhecimento disponível para resolver os casos.

O projeto chegou então a uma etapa de shadow mode, na qual era possível observar o que o agente teria feito diante de casos reais antes de atribuir-lhe responsabilidade sobre essas decisões.

Deaney observou que, nesse caso particular, estavam vendo resultados que consideravam mais precisos que os dos reguladores humanos para aquela tarefa específica, devido à complexidade da análise e à quantidade de documentos que precisavam ser ponderados em conjunto. “Trata-se de um resultado observado nesse caso de uso e não de uma conclusão geral sobre a capacidade da IA frente aos profissionais”, esclareceu.

Mais ferramentas nem sempre significam um agente melhor

A demonstração também mostrou como um agente pode consultar fontes externas para complementar a informação disponível internamente. No entanto, o executivo da Anthropic ressaltou que incorporar uma nova ferramenta não é automaticamente positivo. Cada fonte adicional pode trazer informação relevante, mas também aumentar a complexidade, o tempo de resposta e as novas permissões de acesso.

“O critério deve ser que informação o agente realmente precisa para resolver uma determinada tarefa. A ideia de fundo é conceder acesso às ferramentas necessárias, mas não mais do que o necessário”, comentou.

Em um processo de sinistros, por exemplo, uma fonte externa pode fornecer antecedentes que permitam gerar um novo indicador de risco. Esse resultado pode voltar ao sistema core e ser usado dentro das regras estabelecidas para definir se o caso deve ser encaminhado. Novamente, o agente traz inteligência a uma parte do processo, enquanto a decisão crítica pode permanecer dentro de uma estrutura controlada.

A confiança como condição para escalar

Ao final, Deaney resumiu a abordagem em três ações-chave para as organizações que queiram avançar com agentes de IA: tornar acessíveis os sistemas e dados de que os agentes precisam, converter os SOPs existentes em skills reutilizáveis e começar o quanto antes a construir uma base de avaliações.

Sobre este último ponto, reconheceu que pode ser um processo longo e trabalhoso. Reunir centenas de casos, revisar seus resultados e garantir que representem corretamente a operação exige tempo e participação de especialistas. Mas começar com um conjunto reduzido permite construir a capacidade necessária para melhorar os agentes de forma sistemática. “Até 20 é melhor que nada”, disse, ao se referir à necessidade de começar a reunir casos de avaliação.

O palestrante chegou a definir os evals como parte fundamental do trabalho prévio à entrada em produção: “Se estiverem perfeitamente feitas, provavelmente representam 70% do trabalho de um agente”.

“O objetivo final não é simplesmente implantar um agente, mas gerar um ciclo que permita ampliar progressivamente seu alcance com evidências sobre seu desempenho”, ponderou o especialista.

Para Deaney, um agente confiável em produção precisa de três elementos centrais: precisão, segurança e governança, e rastreabilidade. Ele deve demonstrar que funciona em escala, operar dentro de limites definidos e deixar um registro que permita reconstituir como se chegou a determinada decisão.

Em um setor como o segurador, onde as decisões podem ter consequências econômicas, regulatórias e operacionais, essa diferença é fundamental. O desafio da IA já não passa apenas por demonstrar que ela pode fazer algo, mas por demonstrar quando, como e sob quais controles pode fazê-lo de maneira confiável.

Com informações de 100% SEGURO.

O que as descrições de cargos revelam sobre a adoção da IA?

As seguradoras estão contratando profissionais para desenvolver soluções de inteligência artificial, mas as descrições de cargos operacionais ainda não refletem como o trabalho de regulação de sinistros e de subscrição irá mudar.

Os investimentos em IA começam a alterar os requisitos para os profissionais do setor de seguros. À medida que a IA se integra às operações diárias, os funcionários precisarão interpretar insights gerados por sistemas, gerenciar exceções, documentar decisões apoiadas por IA e aplicar julgamento em situações em que as ferramentas automatizadas não tenham contexto suficiente.

A Shift analisou recentemente 100 anúncios de emprego de importantes seguradoras dos Estados Unidos para entender como essa transição se manifesta no mercado de trabalho. Os resultados mostram uma demanda significativa por profissionais responsáveis pela criação de recursos de IA. Setenta e dois por cento dos cargos em IA, análise de dados, produto e tecnologia mencionavam explicitamente a IA. Entre as funções operacionais de regulação de sinistros, subscrição, investigação especial de sinistros (SIU) e sub-rogação, o índice foi de 6%.

Os resultados sugerem que as seguradoras avançaram para a próxima fase da adoção da IA. As equipes técnicas estão desenvolvendo a infraestrutura e os recursos necessários. Agora, o trabalho se estende à preparação de toda a organização para utilizar esses recursos de forma eficaz.

As descrições de cargos revelam como o trabalho está evoluindo

As descrições de cargos cumprem diversas funções. Elas atraem candidatos, definem responsabilidades atuais e sinalizam quais competências uma organização espera que sejam importantes no futuro. Analisadas em conjunto, também podem mostrar como um setor está se preparando para mudanças tecnológicas e nos modelos operacionais.

Os padrões de contratação identificados na pesquisa da Shift sugerem que as seguradoras concentraram grande parte de suas contratações visíveis relacionadas à IA nas equipes responsáveis por desenvolver, implementar e dar suporte à tecnologia. Esses cargos exigem conhecimentos especializados em ciência de dados, desenvolvimento de produtos, análise de dados e engenharia.

O impacto desses investimentos acabará se estendendo por toda a empresa. Profissionais de sinistros, subscritores, investigadores e outras equipes operacionais usarão cada vez mais ferramentas baseadas em IA em suas atividades diárias. Suas responsabilidades evoluirão à medida que esses sistemas forem integrados mais profundamente às decisões e aos fluxos de trabalho.

Essa transição começa a se manifestar no mercado de trabalho. As descrições de cargos operacionais continuam a enfatizar competências essenciais do setor de seguros, como julgamento, comunicação e atendimento ao cliente. Poucas descrevem responsabilidades relacionadas a insights gerados por IA, à gestão de exceções, à documentação de decisões apoiadas por IA ou ao uso responsável de recomendações automatizadas.

Preparação para o trabalho em seguros apoiado por IA

A experiência em seguros continua essencial. O julgamento humano ainda é uma das competências mais valorizadas no setor: quase oito em cada dez anúncios analisados mencionavam julgamento, discernimento, tomada de decisões complexas, investigação, negociação ou resolução de problemas. Mais de três quartos dos anúncios para funções operacionais enfatizavam essas capacidades.

A IA mudará a forma como essa experiência é aplicada. À medida que os sistemas automatizados assumirem mais tarefas rotineiras, os funcionários poderão dedicar mais tempo a sinistros complexos, disputas de responsabilidade, interpretações ambíguas de apólices e situações delicadas envolvendo clientes. Esses cenários exigem contexto, experiência e tomada de decisão que não podem ser reduzidos a um resultado do sistema.

Os resultados mostram que as descrições atuais valorizam o julgamento, embora raramente o apresentem no contexto do trabalho apoiado por IA. Poucos anúncios para funções operacionais mencionam suporte à decisão com auxílio de IA, e nenhum deles faz referência ao uso responsável da IA.

As seguradoras podem começar a definir essas competências com mais precisão. O julgamento inclui avaliar se uma recomendação apoiada por IA faz sentido naquele contexto. A investigação envolve, cada vez mais, determinar quais informações adicionais são necessárias quando um sistema sinaliza um sinistro, uma apólice, um prestador ou uma rede. A comunicação inclui explicar uma decisão de maneira clara e empática quando ferramentas digitais tiverem influenciado o processo.

Nesse ambiente, a IA pode aumentar o valor da experiência em seguros ao ajudar os profissionais a aplicá-la de forma mais consistente e em maior escala.

Os anúncios para cargos de nível inicial incluídos na amostra oferecem uma indicação preliminar de como esse desenvolvimento pode ocorrer. As referências à IA eram incomuns entre as funções relacionadas a sinistros, embora alguns cargos de trainee mencionassem especificamente disposição para aprender ou receber treinamento em IA.

Essa linguagem sugere que algumas seguradoras podem planejar o desenvolvimento da fluência em IA por meio da integração de novos funcionários, de programas internos de aprendizagem e do uso diário de ferramentas de IA. Essa abordagem pode ser especialmente valiosa em um setor que enfrenta uma lacuna de experiência e de talentos. A IA pode ajudar funcionários mais novos a acessar o conhecimento institucional, identificar informações relevantes e desenvolver práticas sólidas de tomada de decisão com mais rapidez.

Os dados dos anúncios de emprego não mostram a extensão desses programas de treinamento. Eles, no entanto, levantam uma questão importante sobre a força de trabalho: como as seguradoras devem combinar a contratação, a capacitação e o desenho de fluxos de trabalho para preparar as equipes operacionais para o trabalho apoiado por IA?

Incorporando a IA responsável às funções operacionais

A IA responsável aparece raramente nas descrições de cargos do setor de seguros. Referências à explicabilidade, à governança, à transparência e ao uso responsável surgem ocasionalmente em funções analíticas e técnicas. Nenhum dos anúncios para funções operacionais analisados incluía essa linguagem.

À medida que a IA se tornar parte das decisões cotidianas no setor de seguros, a governança também se tornará uma competência operacional. Os funcionários que utilizarem sistemas apoiados por IA poderão precisar reconhecer quando uma recomendação exige análise adicional, determinar quando são necessárias evidências complementares, documentar como a IA influenciou uma decisão e encaminhar casos quando o sistema não tiver confiança ou contexto suficientes.

O desenho com participação humana, a possibilidade de auditoria e os controles operacionais começam no nível tecnológico e se estendem ao longo do fluxo de trabalho. Sua eficácia depende das pessoas que os aplicam em situações reais.

Muitas seguradoras podem, atualmente, tratar a IA responsável por meio de equipes técnicas, jurídicas, de risco ou de compliance. A adoção mais ampla exigirá traduzir esses princípios em expectativas práticas para profissionais de sinistros, subscritores, investigadores e gestores.

A próxima fase

Os dados de contratação mostram que as seguradoras estão investindo em talentos técnicos necessários para desenvolver e implementar a IA. A próxima fase envolve integrar esses recursos ao trabalho de profissionais de sinistros, subscritores, investigadores e de outras equipes operacionais.

A experiência tradicional em seguros continuará sendo a base dessas funções. Os funcionários aplicarão esse conhecimento em um ambiente influenciado por insights apoiados por IA, por fluxos de trabalho automatizados e por sistemas de suporte à decisão cada vez mais sofisticados. Descrições de cargos, integração de novos funcionários, treinamentos e expectativas de liderança podem ajudar a definir como esse trabalho deve ser realizado.

Em última análise, o valor da IA dependerá da qualidade das decisões que ela ajudar as pessoas a tomar. As seguradoras que combinarem tecnologia sólida com profissionais experientes e bem preparados estarão mais bem posicionadas para melhorar a consistência, administrar casos complexos e atender os clientes de maneira eficaz.

A transformação promovida pela IA é, portanto, também uma transformação da força de trabalho. Seu sucesso dependerá da capacidade de ajudar os profissionais de seguros a utilizar novos recursos com julgamento, confiança e responsabilidade.

Escrito por Éric Sibony,cofundador da Shift Technology.