Anthropic: insurtechs verão a IA redefinir seu papel como fornecedores

[Na foto, da esquerda para a direita: Doug Marquis, diretor de tecnologia da Zywave; Jake Sloan, responsável pela área de seguros e go-to-market da Anthropic; e Eoghan Scully, arquiteto de IA aplicada da Anthropic.]

Em um momento em que muitas seguradoras estão concentradas em extrair pequenos ganhos de eficiência dos chatbots de IA, a Anthropic, empresa responsável pelo Claude, observa uma transformação muito mais ampla no segmento de insurtechs.

Segundo Eoghan Scully, arquiteto de IA aplicada da Anthropic, algumas seguradoras já podem usar ferramentas de programação baseadas em IA para replicar boa parte do que obtêm de seus fornecedores ou complementar esses sistemas para além do que os próprios fornecedores oferecem diretamente.

A discussão sobre desenvolver ou comprar soluções é um tema recorrente entre as seguradoras há décadas. Recentemente, porém, “a fronteira entre o que faz sentido comprar e o que faz sentido desenvolver mudou enormemente em direção ao desenvolvimento”, afirmou Scully.

Scully participou de um painel na conferência AI Exchange, da Zywave, realizada na semana passada em Nova York. Ele disse que essa disrupção não será igual em todo o setor, já que a decisão de desenvolver soluções integralmente dentro de casa ainda exigiria um investimento substancial das empresas que optarem por esse caminho.

“Algumas empresas com grandes equipes de engenharia dirão que a lógica econômica mudou tanto que faz mais sentido alocar alguns de seus engenheiros — além de muito trabalho ou do gasto com tokens — para criar uma solução equivalente à sua ferramenta de software como serviço favorita”, afirmou.

Outras preferirão manter o relacionamento com o fornecedor e ampliar o software incorporando inteligência agêntica a ele, acrescentou Scully. Muitas empresas, porém, seguirão um caminho totalmente diferente: usarão sua ferramenta agêntica preferida como uma interface ou “janela” para acessar aplicações fornecidas por um fornecedor.

“Essas aplicações continuarão sendo provedoras desses dados, como sistemas oficiais de registro (…). Acho que a maioria se concentrará nesse meio-termo”, disse Scully.

Ainda há bastante tempo para que essa dinâmica se desenvolva e para que os provedores de SaaS e outras insurtechs se adaptem à mudança. De acordo com a PwC, 77% dos líderes do setor de serviços financeiros não percebem um retorno mensurável sobre seus investimentos em IA, e apenas 48% identificam alguma economia de tempo em tarefas rotineiras.

À medida que seus clientes avancem nesse processo, as insurtechs poderão se antecipar à mudança ao assumir um possível papel de conexão com a interface de IA preferida por esses clientes.

“Concordamos que, quando pensamos no sistema oficial de registro, a interação dos usuários com esses sistemas vai mudar”, afirmou Doug Marquis, diretor de tecnologia da Zywave, insurtech responsável pela realização do painel.

O ponto mais importante são os dados — e o acesso a eles para que os agentes de IA possam operar —, disse Marquis. A Zywave facilita essa interação.

“Estou preocupado com a possibilidade de existir uma ameaça existencial ao nosso negócio? Na realidade, não, porque construímos tudo o que está ao redor dele para conectar todas as partes”, afirmou Marquis.

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