Lindsay Hanson, da John Hancock, defende que vidas mais longas exigem uma visão mais ampla sobre saúde, cuidado, preparação financeira e engajamento das seguradoras com os segurados.
Enfrentamos uma nova realidade de longevidade nos Estados Unidos: as pessoas estão vivendo mais do que nunca — um reflexo dos inúmeros avanços na ciência, tecnologia e saúde —, mas, ao mesmo tempo, a lacuna entre a expectativa de saúde e a expectativa de vida está crescendo. Diante disso, surge uma questão urgente: estamos realmente preparados para viver mais?
De acordo com o relatório Longevity Ready: A Systems Approach to Aging Well at Home, do Milken Institute, 80% dos adultos mais velhos gerenciam múltiplas condições crônicas, e a mesma porcentagem de pessoas com 65 anos precisará de alguma forma de cuidado. No entanto, há uma desconexão crescente entre a forma como os americanos pensam sobre o envelhecimento e as realidades que aguardam muitos deles. Apenas 45% dessas pessoas acreditam que precisarão de cuidados em algum momento, e 58% acreditam erroneamente que o Medicare cobrirá os custos.
Um em cada cinco americanos tem 65 anos ou mais, e a população dos EUA deve se tornar uma sociedade “super-envelhecida” até 2030. É hora de uma conversa nova e honesta sobre longevidade e o que é necessário para garantir que os americanos estejam preparados não apenas para viver mais, mas para viver com mais saúde e qualidade.
Preparação para a longevidade
O que significa envelhecer bem de verdade? Para alguns, é manter atividades físicas. Para outros, é permanecer socialmente conectado, evitar grandes problemas de saúde ou estar financeiramente preparado para uma vida mais longa. A preparação para a longevidade não é apenas um desses aspectos isoladamente. É a soma de todos eles, formando um retrato abrangente de todas as dimensões do envelhecimento.
O Índice de Preparação para a Longevidade (LPI, na sigla em inglês) da John Hancock (Boston) — criado em colaboração com o MIT AgeLab — oferece um benchmark inédito sobre o quanto os adultos americanos estão preparados para viver bem na velhice em oito áreas-chave: conexão social, finanças, atividades cotidianas, cuidado, moradia, comunidade, saúde e transições de vida. Cada domínio é avaliado em uma escala de 0 a 100, além de uma pontuação geral que representa a média das pontuações por domínio.
No geral, os adultos americanos obtiveram uma média de 60 no LPI em todos os oito domínios, demonstrando maior espaço para melhoria nos domínios de cuidado (pontuação 42), moradia (pontuação 56) e saúde (pontuação 56). Por outro lado, os adultos americanos demonstraram, em média, pontos fortes nos domínios de comunidade (pontuação 70) e conexão social (pontuação 69).
No relatório Longevity Ready, o Milken Institute constatou que apenas um terço dos americanos estima corretamente quanto tempo uma pessoa de 65 anos viverá, indicando que podem estar despreparados para as realidades de saúde, financeiras, de moradia e de comunidade do envelhecimento.
Esses achados também reforçam algo fundamental na forma como pensamos sobre o envelhecimento: melhorar uma área crítica pode impactar diretamente o fortalecimento da preparação geral. Por exemplo, quando as pessoas estão financeiramente preparadas, é mais provável que invistam em sua saúde, adaptem suas casas para o envelhecimento no próprio lar e se engajem regularmente em atividades sociais. Da mesma forma, manter uma boa saúde é fundamental para o desempenho dos americanos em outras áreas-chave, como construir conexões sociais sólidas, engajar-se em atividades cotidianas ou enfrentar grandes transições de vida.
A importância do cuidado
A saúde é central para envelhecer bem, mas é justamente onde encontramos a maior lacuna entre consciência e ação.
A população americana com 65 anos ou mais deve crescer dos atuais 58 milhões para 82 milhões até 2050, e notavelmente um quinto da vida de um indivíduo hoje deve ser vivido em estado de enfermidade.
As pontuações de 56/100 em preparação para saúde e 42/100 em preparação para cuidado dos americanos no LPI são preocupantes. Mais alarmante ainda é que muitos adultos não sabem quem cuidará deles ou como arcarão com esses custos.
A maioria dos americanos quer envelhecer em casa, mas isso exige adaptações na moradia, sistemas e redes de apoio capazes de acomodar necessidades em constante mudança. Segundo o Milken Institute, apenas 10% das residências americanas têm recursos de acessibilidade adequados para idosos, e 47% dos adultos entre 50 e 80 anos consideraram pouco ou nada as adaptações necessárias em suas casas. Essas conversas podem ser desconfortáveis, mas são cada vez mais urgentes.
O que vem a seguir
Estamos em um momento decisivo. A longevidade está redefinindo o que significa viver, trabalhar, se aposentar e envelhecer nos Estados Unidos — e isso está acontecendo mais rápido do que a maioria percebe. Como seguradora de vida, acreditamos que é nossa responsabilidade ajudar as pessoas a viverem vidas mais longas, saudáveis e melhores.
Preparar-se para as realidades de vidas mais longas exigirá muito mais do que mudanças individuais de comportamento. Serão necessários esforços coordenados entre o setor público e o privado — desde o aumento da literacia em longevidade até o fortalecimento dos sistemas que ajudam os americanos mais velhos a prosperar.
Um exemplo pequeno, mas significativo, é a iniciativa recém-lançada pela John Hancock em colaboração com o MIT AgeLab, baseada no LPI. Enquanto o LPI avaliou a preparação em escala nacional, agora os indivíduos têm acesso a pontuações personalizadas de preparação para a longevidade, para entender o quanto estão preparados para prosperar com o avanço da idade, além de ações recomendadas para melhorar sua prontidão em cada domínio.
Equipar os indivíduos com ferramentas para avaliar sua própria preparação para a longevidade, com ações concretas para aprimorá-la, é um passo fundamental. Se abordarmos a longevidade com intenção — tomando medidas práticas hoje e construindo sistemas que reflitam o mundo em que estamos envelhecendo —, poderemos garantir que vidas mais longas se tornem, de fato, vidas mais saudáveis e melhores.
Escrito por Lindsay Hanson, diretora de marketing da John Hancock e Chefe Global de Seguros Comportamentais da Manulife.
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