Especialista mostra como a inteligência artificial pode sair do discurso técnico e entrar em tarefas reais da rotina dos corretores de seguros
A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa distante para o mercado de seguros. Cada vez mais, a tecnologia começa a aparecer em atividades práticas da rotina dos corretores, especialmente em tarefas que exigem leitura de documentos, organização de informações, respostas recorrentes e acompanhamento de clientes.
Para Lucca Buffara, CTO e cofundador da Segura, infraestrutura de IA para o mercado de seguros, o primeiro passo para usar a tecnologia não precisa ser complexo. Segundo ele, a IA pode começar apoiando justamente as tarefas que mais consomem tempo no dia a dia.
“O corretor não precisa mudar toda a operação de uma vez para começar a usar IA. Muitas vezes, o ganho aparece quando ele usa a tecnologia para resolver pequenas fricções da rotina, como explicar uma cobertura com mais clareza, encontrar uma informação em uma apólice ou priorizar os clientes que precisam ser acionados”, afirma Buffara.
A seguir, o executivo lista cinco formas simples de os corretores começarem a aplicar IA no trabalho.
1. Explicar coberturas em linguagem simples
Seguros ainda são cheios de termos técnicos, siglas e condições que podem gerar dúvidas para o cliente na hora da decisão. Expressões como cobertura compreensiva, franquia reduzida, RCF-V, carência ou exclusão nem sempre são compreendidas com facilidade, e cabe ao corretor traduzir essas informações de forma clara para o cliente.
Nesse contexto, a IA pode ajudar a transformar trechos de apólices, condições gerais ou descrições de coberturas em explicações mais simples, adaptadas ao canal de atendimento. O corretor pode pedir, por exemplo, uma versão resumida para WhatsApp, um texto mais formal para e-mail ou até um roteiro curto para áudio.
“Uma das aplicações mais imediatas da IA é ajudar o corretor a explicar melhor. Quando o cliente entende o que está contratando, a conversa avança com menos insegurança e o corretor consegue dedicar mais tempo ao aconselhamento, e não à tradução de termos técnicos”, explica Lucca.
2. Comparar produtos e coberturas com mais agilidade
Corretores lidam diariamente com propostas, condições gerais e materiais de diferentes seguradoras. Comparar coberturas, franquias, limites, assistências, carências e exclusões manualmente pode ser demorado e aumenta o risco de deixar passar algum detalhe importante.
Com apoio da IA, é possível organizar essas informações em formatos mais objetivos, como tabelas comparativas ou resumos por perfil de cliente. A tecnologia pode ajudar a destacar diferenças entre produtos, apontar pontos de atenção e facilitar a preparação do corretor antes de uma conversa comercial.
3. Responder dúvidas recorrentes com mais velocidade
Boa parte da rotina de uma corretora é formada por perguntas repetidas: status de cotação, segunda via, documentos pendentes, dúvidas sobre cobertura, renovação ou informações básicas de atendimento. Quando tudo depende de uma resposta manual, o tempo de espera aumenta, especialmente em horários de pico ou fora do expediente.
A IA pode ajudar a absorver parte dessas interações, oferecendo respostas iniciais, organizando demandas e encaminhando para uma pessoa quando o assunto exige análise humana. Isso permite que dúvidas simples sejam resolvidas mais rapidamente, enquanto os casos mais sensíveis chegam ao corretor com mais contexto.
“O melhor uso da IA no atendimento não é automatizar tudo a qualquer custo. É entender o que pode ser resolvido com segurança pela tecnologia e o que precisa ir para o humano. Esse equilíbrio é fundamental para ganhar eficiência sem perder qualidade na relação com o cliente”, afirma o CTO da Segura.
4. Resumir e consultar documentos longos
Apólices, condições gerais e manuais de seguradoras podem ter dezenas de páginas. Na prática, encontrar uma informação específica em meio a esses documentos toma tempo e pode atrasar uma resposta ao cliente.
A IA pode ser usada para resumir documentos, localizar cláusulas e responder perguntas pontuais a partir de um arquivo. O corretor pode consultar, por exemplo, se determinada cobertura está prevista, qual é a franquia aplicável ou se há alguma carência mencionada no documento.
A recomendação, segundo Lucca, é usar a tecnologia para ganhar velocidade na busca, mas manter a checagem nos casos críticos. “A IA ajuda o corretor a chegar mais rápido no trecho certo. Isso economiza tempo e melhora a experiência do cliente, mas informações sensíveis, como exclusões e limites de cobertura, devem sempre ser conferidas na fonte antes de qualquer orientação final”, explica.
5. Identificar oportunidades dentro da própria carteira
Muitas oportunidades comerciais já estão na base da corretora, mas acabam passando despercebidas por falta de tempo para analisar cliente por cliente. Renovações próximas, clientes com apenas um tipo de seguro, mudanças de perfil ou oportunidades de cross-sell podem ficar escondidas em planilhas e sistemas.
Com IA, o corretor pode organizar essas informações e transformar a carteira em uma agenda de relacionamento. A tecnologia pode ajudar a listar clientes com renovação nos próximos meses, identificar quem tem seguro auto mas não residencial, apontar contas com maior potencial ou priorizar contatos por valor de prêmio.
“Uma das maiores oportunidades para o corretor está na base que ele já construiu. A IA pode ajudar a enxergar padrões, priorizar contatos e transformar dados parados em ação comercial. Isso fortalece o relacionamento e reduz a dependência de começar toda venda do zero”, afirma Buffara.
Para os corretores que querem começar a experimentar IA na prática, há diferentes caminhos possíveis. Ferramentas genéricas de LLM já podem apoiar tarefas do dia a dia. Mas, no mercado de seguros, o ganho tende a ser maior quando a tecnologia já nasce conectada à rotina do setor. É o caso da Helena, assistente inteligente da Segura, que foi desenvolvida para apoiar corretores em tarefas como consulta a documentos, explicação de coberturas, comparação de produtos e organização de informações da carteira. Já o Conversas leva essa inteligência para o WhatsApp, principal canal de relacionamento de muitas corretoras, combinando IA e atendimento humano para responder dúvidas, estruturar fluxos e direcionar casos mais sensíveis para um operador quando necessário.
“A diferença está em usar IA com contexto. No seguro, não basta responder rápido: é preciso entender a linguagem do setor, respeitar a complexidade das informações e saber quando acionar o humano. É isso que buscamos construir com a Helena e com o Conversas”, conclui Buffara.


