As seguradoras agora enxergam backups íntegros e testados como prova essencial de resiliência cibernética e um fator decisivo para elegibilidade de cobertura.
Ao avaliar a prontidão cibernética de uma empresa, as seguradoras não buscam apenas firewalls e autenticação de múltiplos fatores (MFA). Elas querem evidências de que a organização consegue se recuperar rapidamente após um incidente. É aqui que entram os backups. Uma estratégia de backup confiável e bem testada pode fazer a diferença entre uma interrupção breve e uma perda de milhões de dólares.
Uma prática simples, mas eficaz
A regra 3-2-1 continua sendo uma das maneiras mais simples de construir a resiliência que as seguradoras exigem. Ela recomenda manter três cópias dos dados, armazenadas em dois tipos de mídia, sendo uma cópia criptografada e offline ou fora do local (offsite). Essa cópia criptografada ajuda a garantir que, caso seja perdida ou roubada, dados sensíveis não sejam expostos. Autoridades de cibersegurança dos EUA, como CISA e NIST, endossam essa abordagem porque ela limita a perda de dados quando ocorre um incidente cibernético.
A criptografia também está ganhando força. A Pesquisa Anual de 2024 com Decisores de TI da Apricorn apontou que 35% das organizações criptografam dados armazenados e 39% criptografam dados em trânsito. Isso ajuda a proteger os backups contra uso não autorizado caso sejam perdidos, roubados ou manuseados de forma inadequada. Ao mesmo tempo, isolar os backups da rede é o que impede que invasores os adulterem durante um ataque de ransomware.
Um alerta para o setor de seguros cibernéticos
Esse foco ampliado em resiliência não é coincidência. Há poucos anos, o mercado de seguros cibernéticos estava abalado por perdas massivas com ransomware. Os prêmios dispararam, as coberturas se estreitaram e algumas seguradoras saíram do mercado completamente. O ataque à Colonial Pipeline em 2021, no qual um resgate de US$ 4,4 milhões foi pago em poucas horas, evidenciou o quanto a infraestrutura dos EUA estava exposta.
De acordo com a Swiss Re, os prêmios globais de seguros cibernéticos dobraram entre 2017 e 2020, e dobraram novamente até 2022. Em 2023, cerca de uma em cada cinco seguradoras havia eliminado totalmente a cobertura para ransomware. Desde então, o mercado esfriou levemente, com prêmios caindo cerca de 6% nos últimos três trimestres de 2024, mas a mensagem das subscritoras é clara: a cobertura depende de prova de preparação.
O que as seguradoras estão buscando
Hoje, as seguradoras esperam evidências detalhadas de que os clientes conseguem responder de forma eficaz quando um ataque ocorre. Isso inclui documentação de planos de resposta a incidentes, implementação de MFA e testes de vulnerabilidade. Mas backups íntegros e testados frequentemente determinam se uma empresa consegue obter cobertura — ou pagar por ela.
Na pesquisa de 2024 da Apricorn, 46% dos respondentes disseram que uma política robusta de backup é o fator mais importante para atender aos requisitos de seguro cibernético, ante 28% no ano anterior. Esse salto reflete o quanto as seguradoras agora veem os backups como medida de resiliência operacional e financeira.
Quando os backups falham, a recuperação também falha
Infelizmente, nem todas as estratégias de backup são iguais. A pesquisa da Apricorn mostra que metade dos decisores de TI precisou restaurar dados a partir de backups no último ano. Desses, 25% recuperaram apenas parte dos dados e 8% não conseguiram recuperar nada. Os invasores sabem disso — razão pela qual 89% das organizações tiveram seus repositórios de backup alvo de ataques em 2025, segundo o Ransomware Report.
Backups mal projetados ou não testados não apenas atrasam a recuperação. Eles podem invalidar a cobertura ou elevar os prêmios. As seguradoras cada vez mais exigem testes regulares de backup e controles de isolamento para confirmar a recuperabilidade, além de criptografia e até autenticação de múltiplos fatores nos sistemas de backup para confirmar sua integridade. Esses controles dão às subscritoras confiança de que a empresa não sofrerá uma perda total, o que afeta diretamente o risco de indenização e o preço.
A lógica financeira da resiliência
Para as seguradoras, os backups são uma consideração atuarial tanto quanto técnica. Cada minuto de indisponibilidade aumenta as possíveis indenizações, então um processo de recuperação comprovado pode reduzir drasticamente a exposição financeira. Para as empresas, isso se traduz em poder de negociação: companhias que conseguem demonstrar resiliência frequentemente se qualificam para melhores condições e prêmios menores.
Por outro lado, estratégias de backup fracas ou desatualizadas deixam as empresas pagando mais por menos cobertura. Pior: pagar um resgate não garante sucesso. Um relatório de 2025 mostrou que 26,5% das empresas que pagaram invasores nunca recuperaram seus dados. Só essa estatística já justifica a autossuficiência por meio de backups robustos.
Olhando para o futuro
Seguradoras cibernéticas não são apenas absorvedoras de risco; são auditoras de risco. Elas querem ver prova mensurável de que os segurados conseguem se recuperar, não apenas se manter seguros. Um sistema de backup em camadas, que inclua cópias fora do local e offline, testes rotineiros para verificar a recuperabilidade e criptografia para proteger dados sensíveis, fornece a prova que elas precisam ver. Isso demonstra diligência, limita perdas e reforça a credibilidade da empresa em discussões de renovação.
Os ciberataques continuarão a evoluir, mas a recuperação é uma área em que as empresas podem se manter à frente. O melhor momento para testar seus backups é agora, não depois de um ataque. Aos olhos tanto das subscritoras quanto dos invasores, uma cópia verificada e offline dos seus dados pode ser o ativo mais valioso que você tem.
Escrito por Kurt Markley, diretor-geral na Apricorn, empresa que desenvolve e fornece plataformas de armazenamento criptografadas por hardware e livres de software.


