As perdas com crimes na internet nos Estados Unidos chegaram a quase US$ 21 bilhões em 2025, alta de 26% sobre os US$ 16,6 bilhões do ano anterior. Foi também a primeira vez que o Internet Crime Complaint Center (IC3), central de denúncias de crimes na internet do FBI, recebeu mais de um milhão de queixas em um único ano, segundo o Internet Crime Report 2025 da agência. O número do IC3 abrange todos os crimes na internet reportados, incluindo fraudes contra consumidores e golpes de investimento, e não apenas as perdas empresariais que o seguro cibernético se propõe a cobrir.
Os dados foram citados em um novo informe sobre seguro cibernético comercial do Insurance Information Institute (Triple-I), que analisou o aumento da severidade dos sinistros, as ameaças impulsionadas por inteligência artificial e a ampliação da lacuna de proteção entre pequenas e médias empresas.
Menos sinistros, perdas muito maiores
O quadro de sinistros das grandes empresas mudou de um modo que deveria motivar uma revisão cuidadosa dos limites contratados. De acordo com o 2026 Cyber Claims Report da Chubb, a severidade média dos sinistros de grandes empresas dobrou para US$ 4,4 milhões em 2025, mesmo com a frequência de sinistros caindo 34% nesse segmento.
Menos sinistros, porém, não significa menor exposição. A queda reflete uma melhor detecção de ameaças em organizações com mais recursos, enquanto os incidentes que conseguem passar são mais caros e mais complexos. O informe do Triple-I também citou pesquisa da IBM segundo a qual organizações que usam IA e automação em segurança tiveram custo médio de violação de US$ 4 milhões, contra US$ 5,93 milhões para as que não contam com essas capacidades.
O ransomware (sequestro de dados mediante pedido de resgate) continua impulsionando a severidade. O 2026 Data Breach Investigations Report da Verizon constatou que o ransomware esteve presente em 48% das violações de dados analisadas, embora 69% das vítimas tenham se recusado a pagar, em parte porque a melhoria dos backups reduziu o poder de barganha que os atacantes tinham antes.
A lacuna das PMEs não é um problema de preço
O déficit de cobertura é mais profundo abaixo das contas de grande porte. A Swiss Re estima que a penetração do seguro cibernético entre pequenas e médias empresas fique entre 10% e 20%, apesar de quatro anos consecutivos de queda nas taxas. As taxas recuaram cerca de 5% no acumulado de 2026, após queda de 13% em 2025. Projeta-se que os prêmios globais cheguem a US$ 16,4 bilhões em 2026, com crescimento de aproximadamente 5% ao ano desde 2022, mas esse avanço se concentra em segmentos que já são segurados.
Os dados de penetração sugerem que a acessibilidade financeira não é a principal barreira. A pesquisa 2026 Cyber Risk and Insurance Survey da Munich Re constatou que nove em cada dez executivos de nível C em todo o mundo consideram suas empresas inadequadamente protegidas, e outra pesquisa da Munich Re apontou que 28% das empresas nunca receberam uma oferta de seguro cibernético. O estudo conclui que a lacuna entre as empresas menores é em grande parte explicada pelo acesso limitado a produtos adequados e pela tendência a subestimar a exposição, e não pelo custo da cobertura.
A IA está remodelando ataques e defesas
O papel da IA no cenário de riscos opera nos dois sentidos. O informe do Triple-I citou dados do FBI que mostram quase US$ 893 milhões em perdas ligadas a incidentes com uso de IA em 2025, reflexo do uso crescente de phishing, falsificação de identidade e engenharia social com apoio de IA em ciberataques. Ao mesmo tempo, as organizações que adotam IA em segurança estão absorvendo custos de violação significativamente menores, como mostram os dados da IBM.
O informe também destacou que supervisão eficaz, treinamento de funcionários e governança da segurança de dados serão cada vez mais importantes à medida que a adoção de IA se acelera. Pesquisa da Munich Re mostrou que 26% das empresas sem cobertura disseram não saber que o seguro cibernético existia, e 23% citaram confusão sobre o que é coberto, achado que reforça a falta de informação, mais do que o preço, como principal barreira.
Sean Kevelighan, presidente e CEO do Triple-I, afirmou que o seguro cibernético é uma parte importante de uma estratégia abrangente de gestão de riscos, especialmente para empresas com menos recursos para se recuperar de um ataque, mas acrescentou que “prevenção, preparação e cobertura de seguro precisam funcionar em conjunto”.
Com informações de Insurance Business.
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