Atualizado em outubro de 2026.
As emissões de LRS marcam a chegada ao Brasil de um mercado que movimenta bilhões de dólares no exterior: o de Insurance-Linked Securities (ILS), títulos que transferem riscos de seguro para investidores. A Letra de Risco de Seguro (LRS) foi criada pela Lei nº 14.430/2022, mas a primeira operação só saiu em maio de 2025. Até outubro de 2026, o mercado brasileiro registrou quatro emissões.
Neste guia, reunimos todas as emissões de LRS realizadas no país, com valores, SSPEs emissoras, contrapartes e riscos transferidos. Se você ainda não conhece o funcionamento do instrumento ou quem pode emiti-lo, comece pelo guia Letra de Risco de Seguro (LRS): conheça as SSPEs autorizadas pela Susep.
Resumo das emissões de LRS no Brasil
| Data | SSPE emissora | Valor | Contraparte | Risco transferido |
|---|---|---|---|---|
| Mai/2025 | IRB(SSPE), antiga Andrina | R$ 33,7 milhões | IRB(Re) | Resseguro de garantia |
| Dez/2025 | Galápagos Capital SSPE | Até R$ 100 milhões | BS2 Seguros | Seguro garantia judicial |
| Abr/2026 | Galápagos Capital SSPE | R$ 13,5 milhões | Não divulgada | Contingência tributária |
| Mai/2026 | Galápagos Capital SSPE | R$ 126 milhões | Avla Seguros | Seguro de crédito |
As emissões de LRS, uma a uma
1. IRB(SSPE): R$ 33,7 milhões em resseguro de garantia (maio de 2025)
A primeira Letra de Risco de Seguro do Brasil foi emitida em 30 de maio de 2025 pela Andrina SSPE, subsidiária integral do IRB(Re), hoje chamada IRB(SSPE). O próprio IRB(Re) atuou como contraparte e transferiu à SSPE parte das exposições de sua carteira de resseguro de garantia, ligadas a 14 riscos específicos (grupos econômicos). A operação foi estruturada com o Itaú BBA, com apoio da B3 e da Oliveira Trust. Segundo artigo publicado pelo próprio IRB(Re), a remuneração é de CDI + 2,5% ao ano, com pagamento no vencimento. Machado Meyer assessorou o IRB e a Andrina, e Mattos Filho representou o Itaú BBA.
2. Galápagos Capital SSPE: até R$ 100 milhões em seguro garantia judicial (dezembro de 2025)
Primeira emissão da SSPE da gestora Galapagos Capital, a operação foi anunciada com capacidade de até R$ 100 milhões, ampliável, e prazo de seis anos. Segundo a Galapagos, a BS2 Seguros foi a contraparte e cede à SSPE, por meio de resseguro automático pelos 12 meses seguintes, riscos das apólices de seguro garantia judicial que emite. A oferta foi direcionada a investidores profissionais, exigência legal para qualquer LRS, com prioridade para fundos de pensão e multi-family offices. Madrona Advogados atuou como assessor jurídico e a Vórtx, na liquidação e no registro.
3. Galápagos Capital SSPE: R$ 13,5 milhões em contingência tributária (abril de 2026)
A segunda LRS da Galapagos mostrou um uso inédito do instrumento: cobrir riscos ligados a uma contingência tributária que destravou uma operação de fusão e aquisição no agronegócio. Segundo a Galapagos, a empresa já havia esgotado o limite disponível no mercado tradicional de seguro e resseguro para esse risco, e a LRS foi a alternativa encontrada. A operação levou 20 dias entre a primeira conversa e a emissão. A contraparte não foi divulgada.
4. Galápagos Capital SSPE: R$ 126 milhões em seguro de crédito (maio de 2026)
É a maior emissão de LRS até aqui e a primeira distribuída ao mercado, sempre restrita a investidores profissionais. A contraparte foi a Avla Seguros, que transferiu riscos de seguro de crédito ligados a um grande varejista. A operação foi colocada junto a cinco investidores, com a Tivio Capital, gestora do Grupo Bradesco, como investidora âncora e participante da estruturação. A fintech Marvin atuou como agente de garantias e coestruturadora. Mattos Filho, Pinheiro Neto Advogados e Madrona Advogados assessoraram a operação.
O que as primeiras emissões de LRS mostram
- Linhas financeiras na frente: todas as operações envolveram garantia, crédito ou contingência tributária. Nenhuma transferiu risco de catástrofe natural, o foco dos cat bonds no exterior.
- Risco ligado ao ciclo de crédito: por cobrirem garantia e crédito, essas LRS dependem da saúde financeira das empresas seguradas, o que reduz a descorrelação com a economia esperada de um ILS.
- Volume pequeno, mas crescente: as quatro emissões somam até cerca de R$ 273 milhões, considerando o teto de R$ 100 milhões anunciado em dezembro de 2025. A maior operação foi quase quatro vezes a primeira.
- Concentração em poucos emissores: três das quatro operações passaram pela Galápagos Capital SSPE.
- Instrumento flexível: a operação de contingência tributária mostra que a LRS pode atender necessidades fora do resseguro tradicional.
Próximos passos do mercado de LRS
O número de emissores deve crescer. A BTG Pactual SSPE foi autorizada pela Susep em agosto de 2026, e a Ariel SSPE tem aprovação prévia desde dezembro de 2025. Corretoras de resseguro, como a Lockton Re, criaram áreas dedicadas a estruturar operações de LRS. Em setembro de 2026, a Susep publicou propostas para ampliar a proteção contra catástrofes naturais, incluindo ajustes na regulamentação da LRS, o que pode abrir caminho para as primeiras operações brasileiras ligadas a riscos climáticos.
Perguntas frequentes sobre as emissões de LRS
Quantas LRS já foram emitidas no Brasil?
Até outubro de 2026, foram quatro emissões de Letra de Risco de Seguro: uma da IRB(SSPE) e três da Galápagos Capital SSPE.
Qual foi a primeira LRS do Brasil?
A emissão de R$ 33,7 milhões da Andrina SSPE, hoje IRB(SSPE), realizada em 30 de maio de 2025 e ligada a riscos da carteira de resseguro de garantia do IRB(Re).
Qual é a maior emissão de LRS do Brasil?
A emissão de R$ 126 milhões da Galápagos Capital SSPE, em maio de 2026, com a Avla Seguros como contraparte.
Quem pode comprar LRS?
Somente investidores profissionais, conforme a definição da CVM, inclusive no mercado secundário.
Conheça as SSPEs por trás das emissões
Toda emissão de LRS passa por uma Sociedade Seguradora de Propósito Específico autorizada pela Susep. Para entender o papel dessas sociedades, as regras da Lei nº 14.430/2022 e quem já pode emitir no Brasil, leia o guia Letra de Risco de Seguro (LRS): conheça as SSPEs autorizadas pela Susep.


