Delegação Brasileira tem encontro exclusivo com OpenAI no ITC Vegas

Em conversa promovida pelo Insurtech Brasil, Tony Jacob, Head of Insurance da OpenAI, destacou o potencial do País para inovação em seguros e antecipou planos de expansão da companhia na América Latina

A Delegação Brasileira no ITC Vegas 2026 encerrou sua participação no maior encontro mundial de inovação em seguros com uma conversa exclusiva com Tony Jacob, Head of Insurance da OpenAI. Organizado pelo Insurtech Brasil, o Fireside Chat foi realizado no dia 1º de outubro, no Mandalay Bay, em Las Vegas, e abriu espaço para que executivos brasileiros discutissem diretamente com o especialista os impactos da inteligência artificial no mercado de seguros.

Em formato reservado, o encontro permitiu uma rodada de perguntas sobre temas como aplicação da IA em subscrição e sinistros, agentes de inteligência artificial, distribuição de seguros, produtividade, estratégia de dados, regulação, custos, sistemas legados e o futuro da relação entre consumidores, seguradoras e corretores.

Um dos pontos de destaque foi a visão de Jacob sobre o mercado brasileiro. Ao ser questionado sobre os planos da OpenAI para o Brasil e a América Latina, o executivo afirmou que a atuação da companhia está rapidamente adquirindo alcance global e citou Brasil, México e Canadá entre os mercados que passaram a fazer parte dessa perspectiva nas Américas. Também antecipou que a companhia deverá contar com uma equipe dedicada à América Latina “mais cedo ou mais tarde”.

Jacob, que antes de ingressar na OpenAI teve experiência na AWS, ressaltou ainda o que observou sobre o mercado brasileiro ao longo de sua trajetória. “Aprendi a valorizar o quanto de inovação em seguros acontece no Brasil. É um mercado extremamente importante e precisamos estar presentes”, afirmou o executivo, em tradução livre. Ele acrescentou que, em diversas frentes, especialmente no universo das superapps, o Brasil está na liderança e destacou a vitalidade do mercado nacional.

Para José Prado, presidente do Insurtech Brasil e responsável pela organização da Delegação Brasileira, a possibilidade de colocar executivos do País frente a frente com lideranças globais é justamente um dos principais diferenciais da iniciativa. “O ITC concentra algumas das principais lideranças mundiais de tecnologia, inovação e seguros. Nosso papel é aproveitar esse ambiente para criar aproximações que dificilmente conseguiríamos proporcionar no Brasil. Não é apenas assistir a uma palestra, mas ter a oportunidade de sentar, perguntar, aprofundar temas e trazer a discussão para a realidade do nosso mercado. Foi exatamente o que aconteceu nessa conversa com a OpenAI”, afirma Prado.

Seguros entre os setores com maior potencial para IA

Durante a conversa, Jacob foi questionado sobre a importância da indústria de seguros para a OpenAI e para o desenvolvimento da inteligência artificial. Para ele, trata-se de um setor especialmente propício para a aplicação da tecnologia pela combinação de processos complexos com grandes volumes de dados estruturados e não estruturados.

“Eu diria que seguros está entre as principais indústrias para a aplicação da inteligência artificial. Existe uma combinação única de workflows e dados estruturados e não estruturados, e a IA tem capacidade de utilizar essas informações para modernizar ou reinventar processos”, afirmou, em tradução livre.

Na avaliação do executivo, para que a IA gere impacto efetivo no mercado de seguros, é necessário avançar para aplicações específicas do setor. Ele mencionou áreas como claims, underwriting, atuarial e a atuação de agentes, consultores e corretores de seguros, defendendo que o desenvolvimento das soluções precisa incorporar conhecimento dos fluxos e processos próprios da indústria.

Jacob também destacou que a inovação não dependerá apenas das empresas de tecnologia. Segundo ele, o conhecimento e a capacidade de julgamento dos profissionais do mercado serão fundamentais para determinar onde e como a inteligência artificial poderá gerar resultados, seja na melhoria do processo de sinistros, na redução de perdas, na busca por negócios mais rentáveis ou na retenção de clientes.

IA precisa entrar na agenda do negócio

Outro ponto enfatizado no encontro foi que inteligência artificial deixou de ser uma discussão restrita às áreas de tecnologia. Jacob defendeu que executivos das áreas de negócio e operações também precisam compreender como os modelos funcionam e como podem ser utilizados.

Como exemplo, contou que, em encontros com executivos, uma das estratégias adotadas é colocar lideranças para experimentar diretamente a construção de agentes simples de IA. Um deles pode funcionar como uma espécie de chefe de gabinete digital, capaz de analisar compromissos, mensagens e informações e apontar prioridades e decisões necessárias ao longo do dia. A experiência, segundo ele, ajuda os executivos a perceberem de maneira concreta como a tecnologia pode ser levada posteriormente para subscritores, reguladores de sinistros, gestores, agentes e corretores.

O executivo também recomendou que as empresas preservem flexibilidade na escolha dos modelos de inteligência artificial, utilizando diferentes soluções conforme a complexidade, o custo e as necessidades de cada aplicação. Para Jacob, uma abordagem de plataforma tende a ser mais adequada do que estruturas fechadas que limitem as organizações a poucos modelos ou fornecedores.

Agentes podem transformar a distribuição de seguros

A evolução dos agentes de inteligência artificial e seus possíveis impactos sobre a distribuição também esteve entre os assuntos debatidos pelos brasileiros.

Jacob avaliou que os agentes poderão assumir diferentes tarefas, desde auxiliar consumidores na busca por uma cobertura adequada até apoiar profissionais do mercado na gestão de atividades e identificação de oportunidades. Na visão apresentada durante o encontro, seguradoras também poderão desenvolver seus próprios agentes e terão de decidir até que ponto estarão preparadas para disponibilizar, de forma segura, dados e sistemas para interagir com esse novo ambiente.

O executivo observou ainda que ferramentas de IA começam a ocupar um espaço antes dominado pelos mecanismos tradicionais de busca. Para as empresas, esse movimento aumenta a importância de estruturas tecnológicas capazes de conversar com esses novos ambientes, mantendo segurança e governança sobre as informações disponibilizadas.

Mais capacidade, não apenas redução de equipes

Os impactos da inteligência artificial sobre o trabalho também entraram na conversa. Questionado sobre a resistência que pode surgir entre profissionais de áreas como subscrição e sinistros, Jacob defendeu que a discussão deve estar concentrada no aumento da capacidade das equipes, e não simplesmente na redução de pessoas.

Como exemplo, citou experiências do mercado internacional em que o uso de IA permitiu ampliar a quantidade de negócios analisados pelos subscritores e aumentar a produtividade sem necessariamente reduzir as equipes. Para ele, a mesma lógica poderá chegar aos sinistros, combinando automação, redução de custos e uma experiência melhor para o segurado.

Dados, cultura e legado ainda são desafios

Apesar das oportunidades, Jacob chamou atenção para obstáculos que ainda precisam ser enfrentados. Estratégia de dados, cultura organizacional, sistemas legados e orçamento aparecem entre os principais desafios das seguradoras para acelerar a adoção da inteligência artificial.

Segundo ele, as empresas não precisam ter toda a transformação concluída para avançar, mas precisam saber como preparar e organizar seus dados para que a IA possa entregar seu potencial. O executivo observou ainda que as seguradoras começam a reservar orçamento específico para inteligência artificial, embora o peso dos sistemas legados continue sendo relevante.

Governança e responsabilidade também estiveram entre as preocupações levantadas pelos brasileiros. Jacob destacou a evolução de ferramentas de observabilidade, controle e acompanhamento dos serviços de IA e ressaltou que as organizações podem definir diferentes níveis de autonomia para seus agentes, mantendo intervenção humana ou mesmo agentes supervisores quando necessário.

A realização do encontro também contou com o apoio da AWS, que contribuiu para viabilizar a aproximação da Delegação Brasileira com a liderança da OpenAI. Para Ronaldo França, da AWS, a iniciativa reforça a importância de criar espaços de troca entre o mercado brasileiro e lideranças globais. “Momentos como esse permitem aprofundar discussões que já fazem parte da agenda das empresas e aproximar o mercado brasileiro de quem está participando diretamente da evolução dessas tecnologias. É uma troca muito rica para todos os envolvidos”, afirma.

184 brasileiros e uma agenda além do ITC

O Fireside Chat com a OpenAI integrou uma agenda exclusiva preparada pelo Insurtech Brasil para a Delegação Brasileira, que chegou a 184 participantes nesta edição do ITC Vegas.

Além da programação oficial do evento, os brasileiros participaram de encontros privados, ações de relacionamento, jantares com patrocinadores e seguradoras e happy hour exclusivo. A delegação reuniu profissionais de diferentes áreas do mercado de seguros, incluindo seguradoras, canais de distribuição, corretores de seguros e empresas de tecnologia.

A edição também contou com o Brazil Hub, espaço organizado pelo Insurtech Brasil dentro do ITC Vegas para funcionar como ponto de encontro dos brasileiros, apoiar as empresas expositoras e ampliar a visibilidade do mercado nacional junto ao público internacional.

Para Prado, a experiência reforça o propósito de transformar a participação no ITC em uma oportunidade de acesso, conhecimento e relacionamento. “Quando reunimos 184 brasileiros em Las Vegas, não estamos falando apenas de uma viagem para acompanhar um evento. Existe uma agenda construída para potencializar essa experiência. Queremos aproximar o mercado brasileiro de quem está liderando as transformações globais e, ao mesmo tempo, mostrar ao mundo o que o Brasil está fazendo. A conversa com Tony Jacob representa muito bem esse objetivo”, conclui.

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