Seguro de carga, CIOT, planejamento de rota, condições do veículo e gerenciamento de riscos estão entre os pontos que devem ser verificados antes do início de uma operação
Colocar uma carga na estrada exige muito mais do que abastecer a frota. Com o cerco regulatório cada vez mais rígido, falhas no planejamento podem travar a operação e gerar severos prejuízos financeiros. Diante disso, manter os seguros obrigatórios de carga (RCTR-C, RC-DC e RC-V) regularizados junto ao RNTRC deixou de ser uma mera etapa burocrática para se tornar o pilar central de sobrevivência e segurança das transportadoras.
Para João Paulo Barbosa, especialista em seguros de transporte de cargas e sócio-diretor da Mundo Seguro, a prevenção precisa anteceder o início da viagem para evitar surpresas na pista ou na fiscalização.
“Seguro, documentação, veículo, motorista, carga e rota fazem parte da mesma operação. Quando a empresa olha cada um desses pontos separadamente, pode deixar passar uma vulnerabilidade. A gestão de risco precisa começar antes de o caminhão sair”, afirma.
Fiscalização ANTT 2026: o risco de ter apólices apenas no papel
A atenção à conformidade dos seguros ganhou status de urgência. Com o avanço do cruzamento automático de dados entre seguradoras e o sistema da ANTT, irregularidades na contratação das apólices são identificadas em tempo real. Contudo, o especialista alerta: estar regularizado com documentos não garante proteção total se o Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR) e as cláusulas contratuais não refletirem a realidade do trajeto.
“Uma transportadora pode estar regular do ponto de vista documental e, ainda assim, ter uma proteção que não acompanha a realidade da operação. É preciso entender quais riscos estão efetivamente cobertos, quais são os limites contratados e se as condições da apólice são compatíveis com a carga e com a rota”, explica Barbosa.
Regras do CIOT e Piso Mínimo de Frete: atenção total no faturamento
Outro gargalo crítico para os transportadores é a emissão do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte). Sob o respaldo da Lei nº 15.485/2026 e das Resoluções ANTT nº 6.078 e nº 6.090, o registro é obrigatório para todas as categorias (TAC, ETC e CTC). Como o sistema valida automaticamente o valor declarado contra a tabela do Piso Mínimo de Frete em cargas lotação, qualquer divergência impede a geração do código e paralisa o despacho do veículo.
Para fechar o cerco contra sinistros e multas, o roteamento inteligente surge como o elo final de proteção das cargas de alto valor.
“O planejamento da rota precisa conversar com o gerenciamento de riscos. Não adianta ter uma boa cobertura de seguro se a operação não considera previamente os principais riscos daquele trajeto”, conclui o especialista da Mundo Seguro.
Em suma, a convergência entre rigor regulatório, fiscalização digital em tempo real e os crescentes desafios das estradas exige que as transportadoras adotem uma visão 360° de suas operações. Alinhar apólices adequadas, cumprimento das regras do CIOT e rotas inteligentes é o único caminho para garantir a rentabilidade da empresa, blindar o patrimônio contra sinistros e assegurar a eficiência do transporte de ponta a ponta.


