Armazéns modernos, alguns com até 100 pés (cerca de 30 metros) de altura e centenas de milhares de pés quadrados de área, estão pressionando os sistemas de proteção contra incêndio existentes, à medida que o armazenamento automatizado e bens cada vez mais combustíveis elevam o potencial de perdas por fogo.
Produtos de consumo que antes eram feitos principalmente de metal e vidro hoje podem conter plásticos, aerossóis e baterias de íon-lítio, o que aumenta a carga combustível e dificulta o controle de incêndios, afirmam especialistas.
“A tecnologia moderna dos armazéns está à frente dos testes dos esquemas de proteção”, disse Bill Ingram, vice-presidente de operações técnicas da Zurich Resilience Solutions, baseado em Sanger, no Texas.
Os sprinklers (chuveiros automáticos) podem controlar o fogo, mas os bombeiros ainda precisam chegar até ele para a extinção final, o que pode ser difícil em sistemas de armazenagem altos, com acesso limitado e muita fumaça, afirmou.
Em instalações sem uma solução de proteção contra incêndio reconhecida, a perda máxima provável estimada é maior, porque um incêndio poderia destruir o edifício ou causar danos mais extensos ao conteúdo, disse Ingram.
A contaminação por fumaça também pode aumentar as perdas, pois as empresas podem descartar mercadorias expostas à fumaça ou à umidade em vez de arriscar danos às suas marcas, em especial no caso de medicamentos, eletrônicos e outros produtos de consumo, afirmou.
Os tipos de bens armazenados, sobretudo baterias de íon-lítio, e as medidas de prevenção de incêndio podem influenciar se uma empresa consegue contratar seguro, e não apenas o prêmio cobrado, disse Richard Green, coproprietário da Richard R. Green Insurance Agency, agência independente de Hampden, em Massachusetts, e presidente da Massachusetts Association of Insurance Agents.
Os subscritores estão fazendo perguntas mais detalhadas sobre os bens armazenados, a detecção de incêndio e as medidas de prevenção de perdas, afirmou.
Corredores mais estreitos, estantes de várias fileiras e sistemas automatizados permitem armazenar mais mercadorias, mas dificultam o acesso dos bombeiros e o combate ao fogo, disse Austin Elliott, gerente distrital da área de incêndio da Global Risk Consultants, empresa do grupo Tüv Süd, baseada em Charlotte, na Carolina do Norte.
O uso crescente de plásticos em bens de consumo e em caixas reutilizáveis de armazenagem aumentou o desafio. Ao contrário do papelão, os plásticos repelem a água em vez de absorvê-la, o que dificulta que os sprinklers impeçam a ignição dos materiais próximos, afirmou Elliott.
Os sprinklers de resposta rápida e supressão precoce permitiram que os armazéns dependessem apenas de proteção no teto, mas as mudanças nas configurações de armazenagem e nas cargas combustíveis estão levando a um retorno dos sprinklers instalados dentro das estantes, disse.
De modo geral, modernizar sistemas de sprinklers existentes pode custar várias centenas de milhares de dólares por sistema, e os projetos podem passar de US$ 1 milhão se forem necessárias bombas de incêndio maiores ou tanques de armazenamento de água, afirmou Elliott. Grandes armazéns podem exigir vários sistemas, o que eleva ainda mais os custos.
Incêndios recentes em armazéns evidenciaram, além dos danos materiais, a contaminação ambiental e possíveis exposições a responsabilidades.
Um incêndio em 17 de junho em um armazém frigorífico da Lineage Logistics, em Boyle Heights, em Los Angeles, durou oito dias, espalhou fumaça por bairros vizinhos e deixou apodrecer cerca de 85 milhões de libras de alimentos congelados, segundo autoridades da cidade. Moradores processaram a Lineage por supostos danos causados pelo incêndio, que também motivou uma legislação na Califórnia que exige a revisão de lacunas de cobertura de seguros e de questões de resposta a emergências.
Os testes da FM mostram que arranjos de armazenagem mais densos, incluindo estantes com sistemas automatizados de recuperação, podem impedir que a água dos sprinklers chegue ao fogo, permitindo que ele cresça, disse Matthew Daelhousen, vice-presidente e gerente de riscos e proteção contra incêndio da seguradora, sediada em Johnston, em Rhode Island.
“É muito mais difícil proteger esses tipos de arranjo”, afirmou.
Os fabricantes de sprinklers estão desenvolvendo modelos maiores e de acionamento mais rápido, e a FM trabalhou em formas mais eficazes de distribuir água dentro das estantes, disse Daelhousen.
Tecnologias alternativas também estão sendo exploradas, entre elas névoa de água (water mist), sistemas de redução de oxigênio e sprinklers de acionamento eletrônico. Esses sprinklers poderiam usar detectores de calor para disparar a descarga de água mais cedo, antes que o fogo gere calor suficiente para ativar os sprinklers convencionais, afirmou.
Apesar dos avanços na tecnologia de proteção contra incêndio, sprinklers ausentes ou mal conservados continuam sendo uma das principais causas de perdas por fogo, disse Daelhousen.
“A simples falta de sprinklers em áreas obstruídas é um problema grave. É um grande fator de perdas”, afirmou.
Bombas de incêndio que não partem ou válvulas deixadas fechadas também podem impedir que a água chegue aos sprinklers, disse.
Os operadores de armazéns devem inspecionar e manter regularmente empilhadeiras, equipamentos automatizados e sistemas elétricos, inclusive com varredura por infravermelho para detectar pontos quentes, disse Ingram. Painéis solares antigos instalados em telhados também exigem inspeções regulares, incluindo verificações anuais, afirmou.
A detecção precoce de fumaça e as barreiras corta-fogo e corta-fumaça, quando viáveis, também podem ajudar a limitar as perdas, disse.
Os operadores de armazéns, especialmente os que têm vários locatários, devem manter os inventários atualizados e fazer inspeções periódicas para verificar o que está armazenado, afirmou Green.
Com informações de Business Insurance.


