O seguro paramétrico está ganhando um novo público entre consumidores que usam inteligência artificial para pesquisar suas coberturas, segundo a Adaptive Insurance.
O uso mais comum do seguro paramétrico é proteger contra uma catástrofe sem a necessidade de apurar uma perda real: o preço é definido com base na probabilidade de o evento segurado ocorrer. Uma apólice pode ser feita, por exemplo, para um show que teria de ser cancelado por causa da probabilidade de uma tempestade severa, ou para uma estação de esqui que perde público por falta de acúmulo de neve.
A Adaptive agora vê demanda de consumidores pelo mesmo tipo de cobertura, para perdas menores que podem não justificar um pedido de indenização em uma apólice tradicional, seja por não estarem previstas no contrato, seja por não atingirem o valor da franquia, afirmou Mike Gulla, cofundador e CEO da Adaptive, que foi lançada em 2024.
Segundo Gulla, muitos consumidores chegaram ao produto paramétrico da empresa, o GridProtect, ao usar IA para buscar uma forma de se proteger contra perdas causadas por longas quedas de energia.
"Já estamos vendo segurados que encontram a Adaptive porque passam a própria apólice por um mecanismo de IA, como o ChatGPT, para entender o que está faltando", disse Gulla em entrevista. "Eles chegam até nós pelo GridProtect porque a maioria dos proprietários agora percebe que não tem mais cobertura para perda de alimentos em seu contrato, e entende que o nosso GridProtect pode, de fato, cobri-los nesse caso."
O exemplo típico, segundo Gulla, é uma apólice de US$ 1.000 que pode cobrir não só o custo dos alimentos perdidos, mas também uma hospedagem em hotel, caso a eletricidade seja necessária para operar equipamentos médicos e o segurado não possa esperar a energia voltar.
Quando foi lançada, a Adaptive pesquisou cerca de 500 agentes comerciais licenciados e constatou que 70% disseram que ficariam motivados ou muito motivados a vender cobertura paramétrica se tivessem acesso a ela.
O GridProtect foi lançado em julho de 2025 e é o único produto paramétrico da Adaptive oferecido tanto para clientes comerciais quanto residenciais. A empresa tem outros cinco produtos, incluindo dois de recompra de franquia (deductible buy-back) para os dois públicos.
A Adaptive não quis informar números específicos de apólices nem de prêmio emitido bruto, limitando-se a dizer que observa forte crescimento mês a mês em todos os produtos.
A Adaptive trabalha com a Bold Penguin, que opera uma plataforma digital de negociação de seguros comerciais. Peter Settel, presidente e CEO da Bold Penguin, participou ao lado de Gulla de um painel no ITC Vegas, em setembro.
Durante o painel, Settel classificou a oferta de produtos paramétricos a pessoas físicas como uma "tendência muito grande que esperávamos no último ano", impulsionada em parte pela evolução da tecnologia.
Settel observou que o atrativo do seguro paramétrico é ser baseado na probabilidade de um evento, e não em perdas reais, o que exige um nível de tecnologia capaz de criar a apólice de forma economicamente viável.
"Isso precisa ser feito de um jeito que faça sentido no posicionamento, na consideração do cliente, e que possa ser acionado sem passar por todo um outro processo", disse Settel. "Muito disso começou a se encaixar nos últimos dois anos."
Com informações de Digital Insurance.
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