À medida que o clima se torna mais severo e imprevisível, o seguro paramétrico, que pode ser customizado, consegue cobrir perdas e aumentar a segurança de formas que as apólices tradicionais de builder’s risk (seguro de riscos de construção) não conseguem, afirmou na terça-feira um painel de especialistas na International Risk Management and Insurance Construction Risk Conference.
Enquanto o builder’s risk cobre apenas danos físicos, o paramétrico pode indenizar construtoras por condições que tornam o trabalho impossível ou inseguro, como calor ou frio extremos, vento, chuva ou neve, disse o painel formado por três consultores, nenhum deles representante de seguradoras paramétricas.
“As construtoras estão simplesmente absorvendo (as perdas climáticas não cobertas), na maior parte das vezes em silêncio”, disse Rose Hall, fundadora da consultoria de riscos de construção RH Business Ventures. “E a maioria das pessoas com quem converso diz: ‘Eu trabalho com o clima desde sempre, e nunca foi um problema.’ Sério?”
Rose apontou o impacto crescente de eventos climáticos como vórtices polares, rios atmosféricos e domos de calor. Mesmo sem causar danos diretos, um dia com temperatura abaixo de 40 graus Fahrenheit (cerca de 4 °C) pode reduzir em 50% a resistência do concreto lançado, disse ela. E ventos acima de 20 milhas por hora (cerca de 32 km/h) criam condições inseguras para algumas operações com guindastes.
Ao mesmo tempo, as mortes de trabalhadores relacionadas ao calor aumentaram. As construtoras sofrem pressão para continuar trabalhando nessas condições a fim de cumprir o cronograma, disse Rose.
“O clima está estranho, causa atrasos, o que custa dinheiro para todo mundo. Mas, mais do que isso, estamos colocando nossos trabalhadores em risco ao ter de tomar a decisão moral de trabalhar ou não em dias de calor”, disse Rose, que atua em Irvine, na Califórnia.
A maioria das construtoras inclui na proposta uma margem para dias de mau tempo, mas ela costuma ser “um chute arredondado”, baseado na experiência anterior ou em uma busca rápida na internet sobre as condições médias, segundo ela. Uma média de dez anos pode esconder uma enorme volatilidade de um ano para o outro, observou Rose.
Ao usar uma estimativa climática mais precisa para o local da obra, as construtoras podem apresentar uma proposta de “zero dias de clima”, que já embute no orçamento os atrasos esperados por causa do tempo, disse Gary Kaplan, ex-presidente da área de construção da Axa XL. “Isso pode dar uma vantagem” sobre um concorrente que inclui uma margem para o clima, afirmou.
O seguro paramétrico é atraente porque a indenização pode ser usada para qualquer finalidade, e não apenas para reparar danos, disse Kaplan, que atua em Chicago. Se um congelamento atrasasse o início de um projeto, por exemplo, o pagamento poderia financiar horas extras quando o tempo melhorasse.
“O objetivo não é cobrir todos os eventos climáticos”, diz a apresentação de Kaplan. “É cobrir os eventos específicos que interrompem as suas operações específicas no seu local específico.”
As apólices podem ser customizadas conforme as operações e os limites de segurança de cada projeto, disse Rose. Por exemplo, uma apólice pode cobrir o frio apenas nos dias em que a equipe planeja concretar, ou ventos fortes somente nos dias em que os guindastes serão usados. Os gatilhos de temperatura podem ser ajustados aos protocolos de calor do canteiro.
“Isso não é paramétrico no sentido usual”, disse Chris Smith, diretor sênior do Baldwin Group, com sede em Newtown, em Connecticut. “Para mim, isso é uma ‘guarda do cronograma’.”
Smith incentivou construtoras maiores a usar o seguro paramétrico em todo o seu portfólio. Construtoras que têm seguradoras cativas (captives) poderiam usar o pagamento paramétrico para financiar a franquia da captive após um evento catastrófico, disse ele.
Com informações de Business Insurance.
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