É época de planejamento. Em todo o setor de seguros, as equipes de liderança discutem a estratégia do próximo ano, orçamentos são elaborados e revisados, conselhos de administração recebem informes sobre a direção estratégica e gestores marcam reuniões com suas equipes para definir metas. A maioria das grandes decisões que determinam como o próximo ano vai evoluir já foi tomada ou provavelmente será tomada nos próximos meses.
Todos nós já vimos o que acontece depois. O conselho aprova a estratégia, mas, no primeiro trimestre do ano seguinte, pouca coisa mudou. Em geral, a estratégia não é o problema. Muito provavelmente, o trabalho pesado de operacionalizá-la não foi priorizado.
Tenho mais de 20 anos de atuação no setor de seguros, no espaço entre a decisão de um executivo sênior e o trabalho que vem em seguida. E, se aprendi alguma coisa, é que o momento de operacionalizar a estratégia é antes de aprovar o plano, não depois. É assim que se obtém uma visão mais clara do compromisso financeiro e de recursos que está prestes a ser assumido.
O que significa operacionalizar
Operacionalizar a estratégia significa traduzir a intenção em atividades do dia a dia de um negócio ou de uma área: quem é responsável, qual é o trabalho, quanto tempo leva para ser concluído, para onde vai o dinheiro, em que cada pessoa trabalha e como o risco é gerido ao longo do caminho.
Feito esse trabalho pesado, deve ser possível enxergar com clareza a estratégia integrada à agenda da liderança, ao orçamento, aos painéis de indicadores, ao arcabouço de controles e às metas dos funcionários. Sem isso, a estratégia provavelmente está a um passo de ser mera ilusão.
Cinco movimentos importantes
- Defina quem é dono de quê. Identifique qual líder aprova, financia e interrompe cada prioridade, registre isso nos objetivos de desempenho e compartilhe com a equipe executiva. Promova conversas individuais e em equipe para resolver disputas de território, enfrentar membros de equipe conflituosos e reduzir a inércia passivo-agressiva. Pela minha experiência, líderes que evitam essas discussões espinhosas têm mais chances de ver a estratégia perder força e estagnar.
- Financie por prioridade. O dinheiro para as atividades do próximo ano é limitado. Examine o orçamento de perto. Ele reflete suas intenções estratégicas? Cada linha financiada está associada a uma prioridade estratégica? Você está disposto a priorizar a estratégia cortando recursos do trabalho que não se conecta a ela? É possível abordar algumas prioridades de forma mais experimental ou em etapas, distribuindo o financiamento por vários anos-calendário? Embora haja muitas decisões a tomar nesta etapa, elas são fundamentais para reduzir lacunas e despesas inesperadas que podem surgir no orçamento do próximo ano.
- Não esqueça de gerir o risco. Estabeleça e incorpore controles internos para administrar os riscos que podem prejudicar suas estratégias, como condições adversas de mercado ou ataques cibernéticos, durante a elaboração do plano, e não no meio do ano seguinte. Quando as salvaguardas são definidas de antemão, como limites de concentração para investir em determinada classe de ativos, elas podem reduzir a vulnerabilidade da empresa às condições de mercado. E, com as ameaças cibernéticas em nível recorde, as seguradoras devem planejar o fortalecimento de sua resposta operacional a ataques e a melhoria da resiliência do ecossistema de terceiros, para proteger a capacidade contínua de entregar valor. Já seguradoras tradicionais com sistemas legados que iniciam uma grande transformação podem identificar o risco associado a esse esforço como um dos principais a mitigar e acompanhar no ano seguinte. Resseguradoras e MGAs (agências de subscrição com poderes delegados) com práticas de risco operacional pouco desenvolvidas podem planejar amadurecer seus processos com a ajuda de inteligência artificial no próximo ano e, assim, ter necessidade orçamentária correspondente. Minha experiência como chefe de gabinete do diretor de riscos na AIG e na Corebridge Financial me ensinou que estratégia e gestão de riscos estão inextricavelmente ligadas e, por isso, se beneficiam de uma abordagem integrada no planejamento e na operacionalização da estratégia.
- Desdobre as metas até cada pessoa. Definidos os objetivos de desempenho da equipe de liderança, eles podem ser desdobrados para os respectivos negócios e áreas. É nesta etapa que está o trabalho pesado de operacionalizar a estratégia. Ao se reunirem com os funcionários para discutir as metas do próximo ano, os gestores devem considerar pelo menos três perguntas. Quais atividades fazem avançar uma prioridade da empresa? Quais mantêm a operação funcionando? Quais podem ser interrompidas? Quando as pessoas entendem como seu trabalho se conecta à estratégia geral da empresa, elas ganham autonomia para fazer melhores escolhas todos os dias.
- Mantenha a estratégia no rumo. Quando o ano do plano começar, como você saberá se a empresa está atingindo suas prioridades estratégicas? Ou se há impasses e gargalos? De quais métricas e informações você e sua equipe de liderança precisam, e com que frequência, para confirmar que a estratégia segue no rumo? Que informações devem ser compartilhadas com os funcionários, o conselho, os reguladores, os investidores e as agências de classificação de risco? Quem será responsável por fornecê-las? Ao responder a essas perguntas agora, na fase de elaboração do plano do próximo ano, é possível evitar correrias futuras na produção de relatórios, ruídos de comunicação inconsistente e despejos de informação que se arrastam sem fim.
Explore como a IA pode ajudar
Condições de mercado, dinâmicas geopolíticas, exigências regulatórias e expectativas dos clientes evoluem e mudam. Com a inteligência artificial, as empresas podem trocar o ciclo anual de planejamento estático por uma abordagem de planejamento mais adaptativa. Identifique os superusuários de IA da sua empresa e envolva-os para explorar como a tecnologia pode manter a estratégia no rumo. Avalie a possibilidade de obter varreduras contínuas do ambiente externo, simulações automatizadas dos principais cenários de projeção, indicadores antecedentes em tempo real que sinalizem um desvio da estratégia e análises sobre os fatores que afetam o plano de talentos e de capital.
Cinco perguntas a considerar antes de aprovar o plano do próximo ano
- Cada prioridade tem um responsável pela decisão, com objetivos de desempenho definidos?
- Que parcela do orçamento do próximo ano está diretamente associada a essas prioridades?
- Como você está gerindo os riscos que podem afetar negativamente suas estratégias?
- Cada funcionário consegue identificar como suas metas sustentam uma prioridade da empresa?
- Que informação indicará, até o fim do primeiro trimestre, que uma prioridade está saindo do rumo?
A janela para essa etapa do planejamento está se fechando. Em janeiro, orçamentos e metas já devem estar estabelecidos. As seguradoras podem aumentar as chances de cumprir suas estratégias se as operacionalizarem. Use os próximos meses para fazer o trabalho pesado, muito importante, de colocar o plano em movimento com sucesso.
Escrito por Donna Pobiner, consultora independente e fundadora na Offscript, LLC.
Com informações de Insurance Thought Leadership.
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